Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura

Agricultura familiar

O IICA e agência de cooperação japonesa promoverão uma metodologia de êxito global para fortalecer a inserção em mercados de produtores familiares das Américas

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Keisuke Ito, Diretor Geral do Departamento da América Latina e do Caribe da JICA, com Lloyd Day, Subdiretor Geral do IICA.

São José, 2 de março de 2026 (IICA). O Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) promoverão o enfoque de Empoderamento e Promoção da Horticultura de Pequenos Produtores (SHEP) na América Latina e no Caribe, para bucar aumentar os níveis de renda dessa população, fortalecer a segurança alimentar e reduzir a pobreza na região.

SHEP é uma metodologia de extensão agrícola desenvolvida inicialmente no Quênia mediante cooperação técnica japonesa e que visa empoderar os produtores para que se tornem gestores autônomos e adotem uma agricultura orientada ao mercado.

Hoje ela é implementada em mais de 60 países e promove aos produtores familiares a passar de “produzir para então vender”, para “produzir para vender”, mediante a capacitação em estudos de mercado, planejamento de cultivos e tomada de decisões baseadas em demanda.

A aplicação dessa metodologia permitiu aumentos médio superiores a 70% das receitas hortícolas de produtores familiares em um período de dois anos, por meio de uma maior orientação ao mercado, melhor planejamento produtivo e fortalecimento de capacidades empresariais.

“Qualquer acordo de cooperação adquire luz verdadeira somente quando implementado em conformidade com o acordado, e confio que esse seja o início de uma relação muito frutífera que se traduza em ações concretas para melhorar a vida dos pequenos agricultores”, disse Keisuke Ito, Diretor Geral do Departamento da América Latina e do Caribe da JICA.

“O enfoque SHEP oferece oportunidades significativas para que os agricultores familiares se transformem em verdadeiros gestores de suas produções. Com apoio e trabalho conjunto, podemos assumir o ambicioso compromisso de melhorar as condições de vida de muitos agricultores e inovar em estratégias para fortalecer os serviços de assistência técnica e extensão rural”, afirmou Lloyd Day, Diretor Geral Adjunto do IICA.

O IICA e a agência japonesa assinaram uma parceria de cinco anos que dará seus primeiros passos em março de 2026 na Bolívia, no projeto “Operacionalizando a agricultura resiliente como negócio: uma parceria estratégica para a ‘Última Milha’ do Fundo de Adaptação”, que inclui o enfoque SHEP.

A iniciativa na Bolívia terá uma duração de dois anos e se apoia em uma parceria estratégica que envolve instituições governamentais, acadêmicas, de cooperação internacional e o IICA, como executor. Ela visa empoderar os pequenos produtores como empreendedores capazes de enfrentar choques climáticos e tem como objetivo final institucionalizar o modelo para fortalecer a segurança financeira e a capacidade de adaptação das famílias rurais.

Além disso, IICA e a JICA exploram opções para implementar o enfoque SHEP no Paraguai, na América Central e no Caribe.

Ações para transformar a agricultura familiar

Como parte do trabalho conjunto, o IICA e a JICA organizaram um seminário em São José que reuniu mais de 250 representantes de organismos internacionais, agências de cooperação, especialistas e atores-chaves do setor agrícola de mais de 20 países da América Latina e do Caribe que discutiram como fortalecer estratégias de apoio à agricultura familiar com orientação de mercado e articulação institucional.

Jiro Aikawa, Assessor Sênior da JICA, explicou que o enfoque transforma a extensão agrícola ao reduzir o hiato de informações entre produtores e compradores. “O lema da SHEP é claro: a agricultura é um negócio. Quando os produtores estudam o mercado antes de plantar e entendem quem comprará o seu produto e com que qualidade, podem melhorar significativamente suas receitas”, disse.

No seminário foram abordados os principais desafios da agricultura familiar, que na América Latina e no Caribe possui 80% das explorações agrícolas, emprega 60 milhões de pessoas e é responsável por 50% dos alimentos consumidos localmente. Em poucas palavras, é um pilar da segurança alimentar regional.

Mario León, Gerente de Desenvolvimento Territorial e Agricultura Familiar do IICA, explicou que os agricultores familiares latino-americanos e caribenhos enfrentam desafios estruturais que limitam seu desenvolvimento, como a baixa produtividade, a vulnerabilidade climática, o débil acesso a mercados, hiatos de conectividade e obstáculos na posse da terra.

“Superar essas barreiras requer políticas diferenciadas, fortalecimento organizacional e maior investimento em inovação e digitalização para liberar o potencial econômico e social de milhões de pequenos produtores”, detalhou.

O seminário encerrou com um painel em que se analisaram estratégias para que os pequenos agricultores aumentem suas receitas e superem a pobreza, fortaleçam sua resiliência diante da mudança do clima e tenham acesso a mercados de forma mais competitiva.

Luis Pocasangre, Diretor Geral do Centro Agronômico Tropical de Pesquisa e Ensino (CATIE), enfatizou em se posicionar o mercado no centro das decisões produtivas. “Não devemos falar de agricultura de subsistência, mas de produtores com potencial empresarial. Se não sabemos quanto custa produzir nem que variedade o consumidor quer, não podemos fazer do setor agrícola um verdadeiro negócio”, afirmou.

Yumara Soria, Coordenadora Regional do Conselho Agropecuário Centro-Americano (CAC), insistiu em redefinir o pequeno agricultor como empresário e fortalecer a extensão rural. “Devemos deixar de ver o pequeno agricultor só como produtor de subsistência e tratá-lo como um empresário agrícola, oferecendo informações, financiamento e, sobretudo, acesso real a mercados; produzir sem saber para que e para quem não transforma a sua realidade”, disse.

Nelson Larrea, da Direção de Análise e Avaliação Técnica do Setor Privado do CAF — Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe, destacou a relação entre rentabilidade e sustentabilidade.

“Não pode haver sustentabilidade se o produtor não é próspero; primeiro, deve ser uma atividade rentável que motive a família a permanecer no campo, então poderemos falar de sustentabilidade ambiental e resiliência. O financiamento precisa de um forte componente técnico no território; metodologias como a SHEP permitem que os recursos realmente se traduzam em modelos de negócio sustentáveis e com impacto”, concluiu.

Federico Sancho, Gerente de Planejamento, Monitoramento e Avaliação do IICA, moderou o painel em que se analisaram estratégias para que os pequenos agricultores aumentem receitas e superem a pobreza, entre outros temas. Participaram do diálogo: Yumara Soria, Coordenadora Regional do CAC; Keisuke Ito, Diretor Geral do Departamento da ALC da JICA; Nelson Larrea, da Direção de Análise e Avaliação Técnica do Setor Privado de CAF; Luis Poucasangre, Diretor Geral do CATIE; e Mario León, Gerente de Desenvolvimento Territorial e Agricultura Familiar do IICA. 

Mais informação:
Gerência de Comunicação Institucional do IICA.
comunicacion.institucional@iica.int

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