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Bolívia promove nova etapa para salvar bofedais e fortalecer a produção de camelídeos

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Bofedal Juntacha em Quetena Chico, Potosí, Bolívia.

La Paz, Bolívia, 15 de maio de 2026 (IICA) — No Altiplano boliviano, onde a água define a vida e a produção, pequenos oásis de pastos verdes — os bofedais — sustentam lhamas, alpacas e vicunhas que, por sua vez, são o sustento de centenas de famílias. Em um contexto de crescente variabilidade climática, uma nova etapa de trabalho busca recuperar esses ecossistemas essenciais e fortalecer aqueles que dependem deles.

Nos departamentos de La Paz, Oruro e Potosí, comunidades do Altiplano começaram a implementação do projeto Bofedal–Camelídeos–Pessoas: sistemas resilientes (BCG), uma iniciativa visando fortalecer a resiliência climática desses ecossistemas e das famílias dedicadas à produção de camelídeos, executada pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) na Bolívia com financiamento da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID).

Como continuidade dos aprendizados do programa Bofedal é Vida, essa nova etapa busca recompor o equilíbrio entre os sistemas alto-andinos e as comunidades que dependem deles, em um cenário atravessado por mudanças nas chuvas, temperaturas e disponibilidade de água.

Em municípios de La Paz, Oruro e Potosí, o projeto começou a tomar forma por meio do trabalho conjunto com comunidades, governos municipais e atores locais. Entre eles, encontram-se Achacachi, Batallas, Pucarani, Charaña, Pelechuco, Pampa Aullagas, Santiago de Andamarca, Belén de Andamarca, Turco, San Pablo de Lípez, Colcha K e San Antonio de Esmoruco.

Por meio de oficinas de acompanhamento e avaliação participativa e espaços de análise de vulnerabilidade climática, produtores começaram a construir seu próprio diagnóstico. “As oficinas permitiram aos produtores identificar o estado dos sistemas dos quais dependem e formular metas concretas de curto e meio prazo”, explica Claudio Velasco, Coordenador Técnico do projeto.

“Essa informação — acrescenta — é fundamental para que a implementação seja pertinente e responda aos interesses dos que habitam no território”.

Menina alimentando uma vicunha silvestre em Quetena Chico.

Ciência e conhecimento local em campo

Os bofedais (zonas úmidas do Altiplano) cumprem um papel fundamental nos ecossistemas alto-andinos: funcionam como reservatórios naturais de água, regulam o ciclo hídrico e sustentam biodiversidade adaptada a condições extremas. Além disso, para as famílias do Altiplano, são a base da produção, uma vez que fornecem a forragem necessária para a criação de camelídeos, principal fonte de alimento e receitas nessas regiões.

O projeto se apoia no enfoque de “laboratórios vivos”, onde o conhecimento científico se combina com saberes locais e experiência produtiva. Nesses espaços, as práticas se provam em condições reais, gerando aprendizados que podem ser utilizados em outros territórios.

“Ao trabalhar em contextos reais, os aprendizados têm um alto potencial de replicação — ressalta Velasco —. Combinando inovação tecnológica, pesquisa aplicada e ação coletiva para enfrentar problemas concretos”.

Paralelamente, o projeto avança com estudos técnicos sobre carbono em bofedais, disponibilidade de água, biodiversidade e produtividade de pastagens.

Membros da comunidade coletando pasto para realizar cálculos de consumo de alimento de camelídeos. Comunidade de Collpani, Potosí, Bolívia.

Práticas e resultados

Na comunidade fronteiriça de Río Chilenas as famílias começaram a aplicar novas práticas para recuperar esses ecossistemas.

“Se o projeto não tivesse chegado, nada teria mudado”, conta Idonia Gutiérrez, membro da comunidade de Río Chilenas. “Aprendemos a transplantar plantas para recuperar os bofedais, a semear novos pastos e a cuidar a saúde de nossas lhamas. Algumas sementes já cresceram, e isso nos anima a prosseguir”.

Também no sul, em Quetena Chico, município de San Pablo de Lípez, as condições climáticas continuam exigentes, mas também promovem processos de adaptação.

“Antes não conhecia o uso do nível em A”, diz Delia Berna, membro da comunidade de Quetena Chico. “Agora sei como utilizá-lo para captar água e melhorar nossos bofedais. Se conseguirmos produzir mais alimentos, poderemos cuidar melhor de nossas lhamas”, afirmou.

Estas experiências refletem o objetivo do projeto: reduzir a vulnerabilidade climática mediante práticas sustentáveis, fortalecimento de capacidades e uma melhor gestão dos recursos.

Para isso, trabalha-se em cinco linhas: caracterizar os sistemas BCG, validar práticas inovadoras, fortalecer capacidades locais, melhorar quadros institucionais e promover a articulação entre distintos níveis de governo.

Como eixo central do trabalho nessas cinco linhas, o projeto promove a participação de mulheres, homens e jovens nos processos de tomada de decisões e gestão do conhecimento.

O que ocorre nesses territórios não é uma intervenção isolada, mas a construção de um enfoque que busca posicionar os sistemas bofedal–camelídeos–pessoas como base da segurança hídrica e da sustentabilidade produtiva da Bolívia.

Em uma paisagem onde cada gota de água conta, recuperar um bofedal não é só restaurar um ecossistema: é sustentar a vida.

Oficina teórica sobre cálculo de consumo de alimentos e calendário produtivo. Comunidade Soniquera, Potosí, Bolívia.

Mais informação:
Gerência de Comunicação Institucional do IICA.
comunicacion.institucional@iica.int

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