São José, 27 de maio, 2026 (IICA). O IICA e o CIRAD impulsionarão ações na América Latina e no Caribe para contribuir para o desenvolvimento da pesquisa, a inovação e o fortalecimento de capacidades em áreas críticas para a sustentabilidade e o bem-estar rural na América Latina e no Caribe, após a renovação da sua aliança de trabalho em conjunto.
O convênio, com validez de quatro anos, foi assinado por Muhammad Ibrahim, Diretor Geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), e Tanguy Lafarge, Diretor Regional do Centro de Cooperação Internacional de Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (CIRAD).
Priorizará iniciativas que formam parte de um foco integral de transição agroecológica e sanidade agropecuária em áreas como agrossilvicultura e a gestão de bosques, agricultura tropical resiliente e competitiva, ciência, tecnologia e inovação, bioinsumos para a redução da dependência em agroquímicos, gestão integrada de cultivos e agricultura regenerativa, agricultura de precisão, sanidade vegetal, animal, solos e ecossistemas, políticas públicas para sistemas agroalimentares sustentáveis, governança e articulação institucional.
“A América Latina e o Caribe enfrentam desafios críticos, de doenças transfronteiriças como o fusarium da banana ou a larva da mosca-do-berne do gado, até altos custos de produção e os desafios ambientais. Por isso a articulação entre a pesquisa e a inovação é essencial para responder à vulnerabilidade do setor agroalimentar. O CIRAD é um parceiro estratégico para isso, pelo seu conhecimento e sua presença em regiões tropicais, promovendo a cooperação Sul-Sul”, assegurou o Diretor Geral do IICA.
“O IICA é um sócio crítico e prioritário com quem queremos construir iniciativas em comum. Para o CIRAD a pesquisa somente faz sentido se gera um impacto no desenvolvimento e para os produtores, e é fundamental ligar a ciência com as políticas públicas para acompanhar as transformações do setor agrícola, por exemplo, por meio da rede de 23 plataformas de colaboração de múltiplos atores no nível global, e quatro na América Latina e no Caribe com que contamos”, disse Tanguy Lafarge.
“Graças ao seu alcance internacional, o CIRAD facilita a conexão com iniciativas ou o intercâmbio de inovações com a África, o Sudeste Asiático ou a Europa”, adicionou.
Diálogo sobre a inovação para a sustentabilidade
Como ponto de partida dessa nova etapa de cooperação, as instituições realizaram um fórum técnico que convocou mais de 80 participantes. O fórum teve três sessões, centralizadas em temas prioritários para o futuro da agricultura regional.
A primeira sessão abordou a transição agropecuária, inclusive o uso de boas práticas agrícolas, a gestão integral de pragas, a redução de resíduos de pesticidas e o uso de bioinsumos. Os participantes foram Harold Gamboa, especialista internacional do programa de Inovação e Bioeconomia do IICA, e Luc Villain, pesquisador do CIRAD em sistemas de produção sustentável de café e Diretor Científico da iniciativa Ecoffee, trabalhando na Unidade de Agrossilvicultura e Melhoria Genética do Café e do Cacau do Centro Agronômico Tropical de Pesquisa e Ensino (CATIE).
Gamboa enfatizou a necessidade de acelerar a transição agroecológica na América Latina e no Caribe por meio do uso de bioinsumos, boas práticas agrícolas e a gestão integrada de pragas, bem como a importância de articular ciência, políticas e mercado para superar brechas em regulamentação, financiamento e capacidades.
“Os bioinsumos passaram de ser um tema técnico isolado para se converter em uma prioridade estratégica para a sustentabilidade, a inovação e a resiliência dos sistemas agrícolas”, disse o especialista do IICA.
Villain apresentou o Ecoffee, uma iniciativa multisetorial por meio de uma aliança público-privada liderada pelo CIRAD desde 2020, cujo objetivo é reduzir o uso de pesticidas nos sistemas de cultivo de café no nível mundial.
“O uso de pesticidas na América Latina se multiplicou por seis nos últimos 30 anos, mostrando a urgência de acelerar a transição agroecológica nos cultivos como o café. A redução do uso de pesticidas é possível por meio de estratégias de gestão integrada de pragas, doenças e arenses, combinando ferramentas como variedades resilientes, bioinsumos e boas práticas agrícolas, e por meio da participação e articulação de todos os atores da cadeia de valor”, assegurou.
A segunda sessão se concentrou na transformação dos sistemas agroalimentares, associada com a melhoria da nutrição e da qualidade dos alimentos, a biodiversidade, protótipos de equipamentos e comercialização. Os expositores foram Isahí Ugalde, especialista em qualidade dos alimentos do IICA, e Adrien Servent, pesquisador do CIRAD e especialista em transformação de produtos alimentícios e alimentares.
Ugalde sinalizou que transformar os sistemas agroalimentares implica aproveitar a biodiversidade e os alimentos nativos para melhorar a nutrição, impulsionar a inovação em processamentos e equipamentos para PYMES, e fortalecer a comercialização com valor agregado e padrões que permitam reduzir perdas e competir nos mercados. “Hoje, a fome, a subnutrição e a obesidade coexistem em um mesmo sistema agroalimentar, o que mostra a urgência de transformar nossos modelos de produção. A inovação deve converter a biodiversidade em alimentos nutritivos com valor de mercado”, expressou.
Servent, membro da unidade de pesquisa QualiSud, CIRAD, entrou em detalhes sobre essa iniciativa que promove a qualidade, a segurança e a inovação nos sistemas agroalimentares, fortalecendo capacidades técnicas e científicas para o desenvolvimento sustentável das cadeias agrícolas e alimentares. “Não existe uma solução única para a inovação na agroindústria; cada empresa precisa de acompanhamento e soluções científicas e técnicas adaptadas à sua realidade de produção. Uma transformação de alimentos deve aproveitar a biodiversidade por meio de tecnologias inovadores e sustentáveis que agreguem valor e fortaleçam as empresas locais”, comentou.
O último bloco foi dedicado à agrossilvicultura e a valorização dos produtos do bosque. As pesquisas da unidade de Saúde Vegetal do CIRAD foram lideradas pela ecóloga Mônica Arias, e a fitopatóloga Catherine Abadie, junto com Daryl Medina, Coordenador da Aliança Florestal do Projeto Bosques Vivos de Honduras, da Representação do IICA nesse país.
Arias falou sobre Agroforesta, uma plataforma de colaboração científica interinstitucional que promove sistemas de agrossilvicultura na América Latina. Ela e Abadie mencionaram avanços positivos e pesquisas atuais sobre pragas e doenças de sistemas diversificados de café, cacau e banana.
“A plataforma Agroforesta impulsiona a agrossilvicultura como uma solução para conservar a biodiversidade e fortalecer a segurança alimentar na região”, explicou Arias.
Abadie mostrou a redução na incidência de doenças da banana por meio da “inclusão do cultivo de cacau dentro dessas plantações, como mostra de possíveis soluções sustentáveis para o uso excessivo de agroquímicos”. Também apresentou um projeto coordenado pelo CIRAD na Costa Rica para “diagnosticar o efeito das práticas agronômicas nos componentes da saúde dos agrossistemas de café, cacau ou banana”.
Medina apresentou a iniciativa Bosques Vivos de Honduras, um projeto de conservação impulsionado pela União Europeia e o IICA, junto com o Instituto de Conservação Florestal (ICF), que procura conter a desflorestação, mitigar a variabilidade climática e fortalecer a governança e a sustentabilidade do setor florestal do país centro-americano.
“Promovemos uma visão que integra o bosque aos sistemas de produção, fortalecendo a relação entre agricultura e recursos florestais para gerar sustentabilidade e desenvolvimento rural. A iniciativa procura melhorar a governança florestal e transitar para sistemas de agrossilvicultura que reduzam emissões, restaurem paisagens e melhorem os meios de subsistência das comunidades”, concluiu Medina.
Mais informação:
Karen Montiel, especialista técnica do IICA.
karen.montiel@iica.int
Catherine Abadie, pesquisadora do CIRAD.
catherine.abadie@cirad.fr