No âmbito do intercâmbio de experiências promovido pela União dos Produtores de Açúcar da América Latina (UNALA), foi realizada uma missão técnica ao Brasil, com o apoio do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), para conhecer a experiência brasileira no desenvolvimento e na implementação de seu programa de etanol como política pública e analisar quais elementos podem contribuir para o avanço de programas de mistura sustentáveis e competitivos na América Latina.
A UNALA representa a agroindústria açucareira de 14 países da região. A organização reúne atores responsáveis por aproximadamente 30% da produção mundial de açúcar e 30% da produção mundial de etanol.
A missão reuniu representantes do Panamá, Equador, Uruguai, Guatemala, Peru, Colômbia e Brasil, com a participação de organizações vinculadas à Coalizão Pan-Americana de Biocombustíveis Líquidos (CPBIO), entre elas a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), a PRUCAÑA, a Alcoholes del Uruguay (ALHUR), a União dos Produtores de Açúcar da América Latina (UNALA), a Associação dos Produtores de Álcool da Guatemala (APAG), a Associação Industrial da Cana-de-Açúcar do Panamá (AZUCALPA) e a Associação de Biocombustíveis do Equador (APALE). O encontro proporcionou um espaço de intercâmbio regional entre representantes dos setores público e privado sobre políticas de mistura, produção de etanol e oportunidades de desenvolvimento dos biocombustíveis líquidos.
O objetivo da missão foi analisar a experiência do Brasil no desenvolvimento e na implementação de seu programa de etanol como política pública, identificando elementos que possam contribuir para o avanço de programas de mistura sustentáveis, competitivos e adaptados às diferentes realidades da América Latina. Para isso, a agenda abordou o marco regulatório e institucional, os mecanismos econômicos, a articulação público-privada, o papel do etanol na estratégia energética e climática e a cadeia industrial e tecnológica do biocombustível.
A agenda incluiu reuniões com autoridades do Ministério de Minas e Energia, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, do Itamaraty e do Ministério da Agricultura do Brasil, além de visitas ao Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), entre outras atividades. Também foi realizada uma visita à sede do IICA no Brasil, onde ocorreu um intercâmbio sobre a situação dos programas de mistura na região.
Durante a visita da delegação, Agustín Torroba, especialista internacional em Biocombustíveis e Energias Renováveis do IICA, apresentou virtualmente, na Representação do IICA no Brasil, uma análise sobre a evolução do setor de biocombustíveis líquidos na região, as tendências que impulsionam seu crescimento e as principais oportunidades que se abrem para a América Latina e o Caribe no processo de descarbonização do transporte. A apresentação destacou o crescimento dos Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF, na sigla em inglês), as políticas de mistura e a cooperação técnica entre países, bem como as linhas de trabalho desenvolvidas pelo organismo para apoiar os países da região na formulação de políticas públicas e estratégias de desenvolvimento.
Durante a exposição, foi apresentada a evolução da produção mundial de bioetanol e biodiesel, assim como a diversidade de matérias-primas que atualmente compõem a matriz de biocombustíveis no continente. A apresentação também destacou como diferentes países das Américas avançam com sistemas de mistura obrigatória de etanol e biodiesel, consolidando esses combustíveis como uma ferramenta fundamental para reduzir as emissões no transporte terrestre.
Um dos eixos centrais foi o crescimento projetado dos SAF, identificados como uma das principais oportunidades para a América Latina e o Caribe. Nesse cenário, Torroba ressaltou a importância de desenvolver cadeias de valor certificadas e fortalecer a rastreabilidade das matérias-primas, para que a região possa se posicionar como fornecedora competitiva nesse mercado emergente.
A apresentação também ampliou o olhar para outros setores nos quais os biocombustíveis começam a ganhar protagonismo, como o transporte marítimo e as máquinas agrícolas, duas áreas com grande potencial para avançar na redução da pegada de carbono.
Além do diagnóstico, foram apresentadas as principais ações de cooperação técnica promovidas pelo IICA para acelerar o desenvolvimento dos biocombustíveis nas Américas. Entre elas estão o assessoramento a governos na formulação de marcos regulatórios, a elaboração de estudos técnicos, a capacitação de atores públicos e privados e a promoção de espaços de articulação regional.
“A experiência brasileira demonstra que os biocombustíveis podem articular a produção agropecuária, a inovação e as políticas públicas para avançar rumo a uma matriz energética mais limpa e competitiva. No IICA, continuaremos promovendo a cooperação regional para adaptar esses aprendizados às realidades de cada país e fortalecer o papel estratégico da América Latina e do Caribe na transição energética mundial”, afirmou Gabriel Delgado, representante do IICA no Brasil e coordenador regional para a Região Sul.
Nesse contexto, foram apresentadas experiências de trabalho com os governos da Guatemala, Costa Rica, Panamá e Paraguai, além de iniciativas desenvolvidas na Argentina para promover o desenvolvimento bioeconômico por meio dos biocombustíveis.
A exposição também valorizou o trabalho da Coalizão Pan-Americana de Biocombustíveis Líquidos (CPBIO), iniciativa promovida pelo IICA que reúne atores públicos e privados da região com o objetivo de promover consensos técnicos, fortalecer a cooperação entre países e acelerar a descarbonização do transporte por meio do uso de biocombustíveis líquidos.
“Agradecemos ao IICA por receber esta missão e, especialmente, a Agustín Torroba pela liderança exercida neste processo de intercâmbio de experiências e de posicionamento internacional do etanol. Sua apresentação foi o ponto de partida para um diálogo muito enriquecedor entre os países participantes”, destacou Luis Fernando Salazar, secretário-executivo da UNALA.
“Esta missão reúne representantes da agroindústria da cana-de-açúcar e dos governos da Guatemala, Panamá, Colômbia, Equador, Peru e Uruguai. Esses espaços têm enorme valor porque nos permitem conhecer as melhores práticas dos países mais avançados da região em matéria de biocombustíveis, particularmente de etanol, e continuar fortalecendo a cooperação e o aprendizado conjunto”, concluiu.
Com uma agenda regional cada vez mais voltada à transição energética e à redução de emissões, o encontro reafirmou a importância da cooperação técnica e do trabalho conjunto entre os países das Américas para consolidar os biocombustíveis líquidos como componente estratégico do desenvolvimento sustentável e da competitividade regional.