São José, 14 de janeiro de 2026 (IICA) — A gestão de Manuel Otero à frente do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) permitiu ao organismo se transformar na grande referência para apoiar as transformações do setor agropecuário continental, e seu sucessor, Muhammad Ibrahim, conta com o conhecimento e a experiência para garantir ainda mais essa posição, de modo a consolidar as Américas como um território-chave para a segurança alimentar global.
Assim se manifestaram diversos e relevantes atores da agricultura do continente, os quais fizeram um balanço da transição da condução do IICA que ocorrerá na Costa Rica nesta quinta-feira, 15 de janeiro, quando, na presença de altas autoridades de governo de cerca de 30 países e representantes de organismos internacionais, Otero passará o cargo de Diretor Geral do IICA ao agrônomo de nacionalidade guianense.
O chamado ao diálogo para a criação de consensos entre os países das Américas, de enorme heterogeneidade; a defesa de decisões baseadas em ciência; a aposta na inovação e em novas tecnologias; o aumento de parcerias estratégicas; e a construção de pontes de trabalho conjunto com o setor privado foram alguns dos aspectos destacados na trajetória recente de uma instituição que tem se consolidado como uma voz incontornável da agricultura, constituída como parte da solução aos desafios globais.
Abbigale Loncke-Watson, empreendedora da Guiana que promove a independência econômica das mulheres rurais, mostrou-se orgulhosa de que um guianense assuma a condução de um organismo da importância do IICA.
“Por muito tempo, o IICA desempenhou um papel fundamental no fortalecimento dos sistemas agrícolas do Caribe, promovendo a inovação, o desenvolvimento de capacidades e práticas que impactam diretamente os agricultores e as comunidades rurais. Espero que continue seu apoio aos pequenos e médios agricultores, fortaleça a agricultura resiliente e promova políticas que empoderem os nossos agricultores para competir, crescer e prosperar em um entorno global em constante mudança”, disse Loncke-Watson, reconhecida pelo IICA como Líder da Ruralidade das Américas.
O cientista Rattan Lal, Embaixador da Boa Vontade do IICA e que recebeu o título Cátedra IICA de Ciências do Solo, observou que está honrado por sua relação com o Instituto: “Fazer parte do IICA nesses últimos anos foi trabalhar em equipe na vanguarda da revolução agrícola. Com seu altíssimo nível de conhecimento e penetração no continente americano, tem me dado a oportunidade de alcançar públicos muito amplos com a minha mensagem sobre a importância da saúde dos solos”, disse o acadêmico, titular do Lal Carbon Center da Universidade do Estado de Ohio.
Ao refletir sobre o trabalho do IICA nos últimos anos, Keithilin Caroo, Diretora Executiva da Helen’s Daughters, organização que trabalha para fortalecer as mulheres agricultoras no Caribe, o caracterizou “não só como uma instituição que apoia a agricultura e a segurança alimentar em nosso hemisfério, mas um verdadeiro parceiro que caminha lado a lado com as organizações de base, os jovens e as comunidades cujas vozes habitualmente não são ouvidas”.
Caroo, primeira Embaixadora da Boa Vontade afro-caribenha do IICA, observou que sua aspiração é que “o IICA mantenha os olhos voltados para o futuro: atento às circunstâncias mutáveis da agricultura, buscando novos atores e investindo não só em grupos consolidados, mas também em iniciativas emergentes de base que surgem em toda a região. Juntos, podemos continuar a traçar um novo rumo para a agricultura caribenha: resiliente, equitativo e ousadamente inovador”.
O produtor agrícola e embaixador Kip Tom, líder mundial em temas de agronegócio e pertencente a uma família dedicada à agricultura há oito gerações nos Estados Unidos, destacou o IICA como o único organismo internacional que é um aliado confiável e relevante dos países do continente para defender os interesses do setor agropecuário.
Tom, Vice-Presidente de Política Agrícola do America First Policy Institute (AFPI) e ex-Embaixador dos Estados Unidos em Roma nas agências da ONU para a alimentação e a agricultura, considerou que o desenvolvimento agropecuário é essencial para os países do continente americano e afirmou que o IICA é “um ator central para dar mais poder aos nossos agricultores, fortalecer os nossos sistemas alimentares e reduzir a nossa dependência de burocracias globais”.
Héctor Huergo, destacado agrônomo e jornalista argentino, disse que “a gestão de Otero potencializou a instituição com uma liderança alinhada aos desafios do momento. A agricultura das Américas se tornou, precisamente nesses anos, o baluarte da segurança alimentar do planeta”.
Também Embaixador da Boa Vontade do IICA, Huergo destacou que o IICA desempenhou um papel fundamental no debate ambiental, “colocando sobre a mesa global uma nova narrativa sobre os sistemas de produção de alimentos e bioenergia. Tive o privilégio de acompanhá-lo, em meu papel de comunicador, durante todos esses anos”.
“Não tenho dúvidas — acrescentou — de que Muhammad Ibrahim aprofundará esse caminho, sustentando a narrativa e a base na ciência e na tecnologia em um contexto desafiador. A desaceleração do crescimento da produtividade e o ressurgimento de pragas e doenças tornam fundamental a sua experiência na construção de parcerias com diversos atores e na mobilização de recursos financeiros públicos e privados”.
Cooperação, políticas públicas e comércio
Diego Arias, Gerente de Agricultura e Alimentos do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, enfatizou a grande transformação que a instituição experimentou nos últimos anos: “Temos visto um IICA que fortaleceu a sua capacidade de desenvolver projetos e cooperação técnica em campo, bem como a sua liderança na área de políticas públicas. Em diversas crises de preços de alimentos, o papel do IICA foi muito importante. Estamos ansiosos para continuar trabalhando com o novo Diretor Geral”.
Elsa Murano, ex-Subsecretária de Agricultura dos Estados Unidos e membro do Conselho Consultivo para a Transformação dos Sistemas Agroalimentares (CATSA), enfatizou o papel do IICA para tornar as relações comerciais das Américas mais fluidas. “O Instituto foi fundamental para que as nações da América Latina e do Caribe pudessem cumprir as regras impostas pelos Estados Unidos para a importação de frutas e vegetais, o que muito beneficiou a todos”.
Outro líder da ruralidade homenageado pelo IICA, Daniel Bruno, professor rural da província argentina de Corrientes, expressou o seu reconhecimento: “É meu desejo que, nessa nova etapa, os laços entre os líderes de todo o continente se fortaleçam, para aprofundar o intercâmbio de experiências, saberes e conhecimentos, uma vez que o fortalecimento da ruralidade e do enraizamento é essencial para a continuidade da atividade agropecuária e a manutenção da segurança alimentar”, disse.
O apoio que o IICA vem proporcionando aos agricultores caribenhos foi destacado por Rosamund Benn, agricultora que incentivou dezenas de mulheres rurais em seu país, a Guiana, a processar e comercializar suas colheitas para melhorar suas receitas.
“Nós, agricultores e processadores, temos nos beneficiado de diferentes formas com a ajuda do IICA, e isso tem sido muito bom. A minha expectativa é que o apoio se mantenha nos temas críticos para os pequenos produtores caribenhos, como o acesso aos mercados, como obter melhores rendimentos e como combater os eventos climáticos de maneira mais eficiente. Esperamos continuar trabalhando com o IICA”, disse Benn, que recebeu o prêmio “Alma da Ruralidade” em 2023.
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