Buenos Aires, 24 de setembro de 2026 (IICA) — Brasil considera que a Argentina pode ser o principal fornecedor dos fertilizantes que precisa e os dois países estão aprofundando uma aproximação que será benéfica para ambos, com a participação do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).
“O Brasil está pronto para comprar os fertilizantes produzidos pela Argentina. Em 2025 a nossa produção agropecuária utilizou 50 milhões de toneladas de fertilizantes e importamos 92% disso, a maior parte do hemisfério norte. Sabemos que a Argentina pode nos abastecer, graças às enormes reservas de gás natural que tem na jazida de Vaca Muerta”, disse o Vice-Ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Cleber Soares.
O funcionário participou de um ato na Bolsa de Cereais de Buenos Aires juntamente com o Secretário de Agricultura e Pecuária da Argentina, Sergio Iraeta, que concordou que sua disponibilidade de gás natural permitirá o país aumentar a produção de fertilizantes nitrogenados e, particularmente, abastecer o Brasil de ureia para sua produção agrícola.
Acompanhado pelos representantes do IICA na Argentina e no Brasil, Fernando Schwanke y Gabriel Delgado, respectivamente, Cleber Soares também se reuniu, em Buenos Aires, com o empresário Marcelo Mindlin, Presidente da Pampa Energía, que está construindo uma usina de ureia na cidade de Bahía Blanca. Esse projeto prevê um investimento de US$2,7 bilhões e terá capacidade para produzir 2,1 milhões de toneladas por ano.
Aumento de preços
“A produção agropecuária do Brasil está em níveis recordes. Em 2025, foram gerados 169 bilhões de dólares de exportações e, este ano, esperamos um crescimento de 3,5% a 5,1%. O setor agropecuário representa 28% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e gera 38 milhões de empregos”, disse Soares.
“Mas os aumentos de preços dos fertilizantes — acrescentou — representam um grande problema para os agricultores e para o país. O preço da ureia disparou em poucos meses e, por isso, temos buscado um suprimento alternativo na Nigéria, Angola e China. Mas precisamos urgentemente trabalhar com a Argentina. Podemos ser parceiros cada vez mais seguros”.
Iraeta, por sua vez, assegurou que a Argentina tem o gás natural necessário para produzir ureia suficiente para cobrir as necessidades de sua agricultura e um excedente para exportar para o Brasil. “O intercâmbio comercial e de conhecimentos é essencial para os dois países. Também precisamos estar juntos para enfrentar as barreiras aduaneiras ao comércio de alimentos, já que podemos ser muito mais fortes do que se agirmos de maneira individual”, afirmou.
Tanto Iraeta como Cleber Soares enfatizaram o papel que a agricultura de países como a Argentina e o Brasil está destinada a desempenhar nos próximos anos não só na segurança alimentar — no contexto de uma demanda crescente de proteínas e grãos —, mas também na segurança energética e na sustentabilidade globais.
Os fertilizantes são insumos essenciais para a produção agrícola, que aumentaram seu preço globalmente devido a disrupções que afetaram a produção e o comércio. É um tema que tem impactado a agricultura do continente e no qual o IICA trabalha para dar respostas coordenadas entre os governos e os diversos atores do setor.
No evento da Bolsa de Cereais foram apresentadas as projeções da safra de verão argentina 2026/27, que prevê uma colheita de volumes muito significativos. Também foi realizado o Outlook do Mercosul, união aduaneira que compreende o Paraguai e o Uruguai, juntamente com a Argentina e o Brasil. Uma das oradoras do encontro foi a Diretora de Cooperação Técnica do IICA, Valeria Piñeiro, juntamente com funcionários e representantes do setor privado.
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