Porto Alegre, Brasil, 14 de setembro de 2026 (IICA) — Funcionários do Brasil, da Argentina e do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) mantiveram encontros de trabalho no estado brasileiro do Rio Grande do Sul para aprofundar uma agenda de cooperação em temas de cuidado com a saúde animal.
Ambos os países são grandes produtores e exportadores de alimentos, e a atividade agropecuária é o motor de suas economias, além de dinamizar empregos.
A Presidente do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (SENASA) da Argentina, María Beatriz “Pilu” Giraudo, discutiu temas de trabalho em comum com o Secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Goulart, e ambos ressaltaram o cumprimento, por parte dos países, de altos padrões sanitários e de qualidade na produção.
A funcionária argentina também conheceu os detalhes do funcionamento do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Estado do Rio Grande do Sul (FUNDESA-RS). Trata-se do seguro sanitário do setor agrícola desse estado do sul brasileiro, criado há 20 anos e que, hoje, é uma referência em âmbito nacional.
Durante a Expointer, uma das mais importantes feiras agropecuárias, industriais e de máquinas agrícolas da América Latina, realizada nos arredores da cidade de Porto Alegre, Giraudo se reuniu com o Presidente do FUNDESA-RS, Rogério Kerber, e sua equipe, bem como com o Secretário de Agricultura do estado do Rio Grande do Sul, Márcio Madalena. Participaram também os representantes do IICA na Argentina, Fernando Schwanke, e no Brasil, Gabriel Delgado.
Ações fronteiriças conjuntas
No encontro foram discutidas ações conjuntas de prevenção e controle na fronteira — o Rio Grande do Sul faz fronteira com as províncias argentinas de Corrientes e Misiones —, bem como ações compartilhadas de capacitação dos serviços sanitários e monitoramento de riscos.
A produção animal desempenha um papel econômico e social crucial no Rio Grande do Sul, e o FUNDESA-RS é essencial para manter sua competitividade, uma vez que garante que o estado disponha de fundos rápidos para responder às crises, sem depender unicamente do governo.
Trata-se de um fundo privado, gerido pelo setor produtivo juntamente com o estado, que oferece apoio financeiro e operacional à defesa sanitária animal. O fundo indeniza os produtores em caso de sacrifício sanitário obrigatório por doenças e realiza ações de prevenção e vigilância.
Além disso, apoia o serviço veterinário oficial com recursos, equipamentos, infraestrutura e pessoal. O FUNDESA-RS realizou ações de emergência que foram cruciais em 2024, quando o estado do Rio Grande do Sul foi afetado severamente por inundações, bem como em 2025, quando houve um surto de gripe aviária.
Durante sua passagem pela Expointer, funcionários do Brasil e da Argentina também participaram, juntamente com colegas e produtores do Paraguai e Uruguai, de um seminário técnico organizado pela Federação de Associações Rurais do Mercosul (FARM) e o IICA, no qual afirmaram que a harmonização normativa do bloco e a coordenação em temas de sanidade animal são estratégicas para favorecer a competitividade regional e sua inserção internacional.
Referiram-se principalmente à necessidade de simplificar trâmites para produtores e empresas e construir posições comuns baseadas em evidências científicas para fortalecer a produção e o comércio agroalimentar dos países.
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