São José, 17 de setembro de 2026 (IICA). A Costa Rica compartilhou os avanços, experiências e aprendizados acumulados sobre a prevenção e resposta à larva da mosca-do-berne do gado (LBG), em um evento que reuniu representantes dos setores público, privado, acadêmico, de saúde e de organismos de cooperação internacional.
O intercâmbio ocorreu no foro “Larva da mosca-do-berne, esforços regionais e dinâmicas nacionais, o caso da Costa Rica”, organizado pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), no âmbito do projeto Plano IICA-APHIS/USDA de capacitação e comunicação sobre LBG.
Essa é uma iniciativa do IICA e do Serviço de Inspeção de Sanidade Animal e Vegetal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (APHIS/USDA), executada nos últimos dois anos com o propósito de coordenar a prevenção, o controle e a erradicação dessa doença na América Central e no México.
O encontro permitiu expor experiências derivadas das ações de prevenção, vigilância e controle implementadas na Costa Rica, bem como destacar o papel da articulação institucional e da cooperação internacional para fortalecer a resposta perante a praga.
Participaram da abertura do encontro Fernando Vargas, Vice-Ministro da Agricultura e Pecuária do país centro-americano; Jennifer Savage, Ministra Conselheira da Embaixada dos Estados Unidos na Costa Rica; Lloyd Day, Subdiretor Geral do IICA; e José Urdaz, Gerente do Programa de Sanidade Agropecuária, Biossegurança e Inocuidade e Qualidade dos Alimentos do Instituto.
Costa Rica: exemplo de articulação institucional e cooperação
Recordou-se durante a atividade que a LBG reapareceu na região em 2022, com a detecção de casos no Panamá, depois de duas décadas de ter sido erradicada. Na Costa Rica, o primeiro caso foi detectado em 14 de julho de 2023.
Desde então, o país tem registrado 39.535 casos acumulados e 3.154 casos ativos, segundo números apresentados pelo Serviço Nacional de Saúde Animal (SENASA).
Como parte da resposta nacional, nos dois últimos anos, o projeto IICA-APHIS/USDA facilitou a realização de mais 300 eventos de capacitação com a participação de mais de 8.000 pessoas, entre produtores, técnicos, médicos veterinários, estudantes, comunidades indígenas, pessoal do setor de saúde, socorristas e funcionários de áreas protegidas.
Também foram promovidos 45 eventos de divulgação e conscientização, alcançando mais de 32.000 pessoas de diferentes setores com informações sobre o controle da LBG em animais domésticos e silvestres e foram divulgadas peças educativas em 54 emissoras pelo programa Panorama da Câmara Nacional de Rádio da Costa Rica.
“Por meio de diferentes parceiros, conseguimos levar mais capacitação, informações e assistência técnica ao setor pecuário e outros. Hoje, a Costa Rica está em uma posição melhor do que há três anos no combate à LBG, graças a ações de capacitação, formação, controle, atenção em propriedades rurais, coleta de amostras e apoio direto aos produtores”, afirmou o Vice-Ministro Vargas, enfatizando, ao mesmo tempo, que o trabalho ainda não terminou.
“Estamos em uma etapa de controle que nos levará, posteriormente, a uma etapa de erradicação. É necessário continuar colaborando para que, nos próximos anos, a América Central e a América do Norte possam ter um status livre de LBG”, observou.
Nesse sentido, Lloyd Day ratificou o compromisso do IICA de continuar apoiando os países da região para proteger a saúde animal, fortalecer a produção pecuária e resguardar os meios de vida rurais. “Para alcançar os objetivos relacionados ao controle e futura erradicação da larva da mosca-do-berne, o IICA está totalmente comprometido, disponibilizando aos países a sua capacidade e experiências regionais, bem como uma parceria com o USDA para continuar apoiando a Costa Rica e o restante da região”, disse.
José Urdaz, Gerente do Programa de SAIA do Instituto, complementou que a resposta a essa ameaça tem demonstrado a importância das parcerias regionais. “Isso não é um desafio que um só país ou instituição possa enfrentar por sozinho. Por isso a parceria entre o IICA, o USDA-APHIS, o Organismo Internacional Regional de Sanidade Agropecuária (OIRSA), os países e muitas outras organizações foi tão importante”, explicou.
Acrescentou que o projeto IICA-APHIS/USDA capacitou mais de 49.000 pessoas mediante mais de 1.300 atividades de formação na América Central e no México e distribuiu cerca de meio milhão de materiais informativos.
Por sua vez, Jennifer Savage reconheceu a estreita relação de cooperação entre os Estados Unidos e a Costa Rica em questões agrícolas e sanitárias e os avanços do país na luta contra a larva da mosca-do-berne, que o posicionam como referência regional.
“A nossa colaboração continua para combater essa praga, os avanços da Costa Rica em conscientização pública sobre a LBG, a capacitação e a educação de produtores, o desenvolvimento de laboratórios móveis de controle, a gestão de casos em humanos, na fauna e no gado e os controles de movimentação de gado deixam claro que a Costa Rica tem sido um parceiro líder nesse esforço e é um modelo para outros países da região”, afirmou.
Um enfoque integral para enfrentar a ameaça
Nas diferentes sessões do foro, foram apresentadas ações de vigilância, prevenção e controle desenvolvidas em saúde pública, produção pecuária e conservação, bem como os esforços de coordenação interinstitucional e cooperação regional que têm fortalecido a capacidade de resposta do país.
As ações contra a LBG na Costa Rica são executadas de maneira coordenada por meio da Comissão de Alto Nível lideradas pelo MAG, que também são compostas pelo IICA, APHIS/USDA, OIRSA e outros parceiros estratégicos.
“A Costa Rica está contribuindo com experiência técnica e operacional sobre como controlar a larva da mosca-do-berne. Contamos com informações confiáveis e um sistema de vigilância fortalecido”, indicou Mariano Arroyo, coordenador do programa da LBG do SENASA.
María José Lafuente, da Unidade de Epidemiologia do Ministério da Saúde, destacou que a doença deve ser abordada a partir de uma visão intersetorial. “A miíase da larva da mosca-do-berne continua representando um desafio não só para a saúde humana, mas também para a saúde animal e ambiental, e sua abordagem requer uma resposta integral sob o enfoque Uma Só Saúde.”, argumentou.
Por sua vez, Luis Diego Obando, Diretor Executivo da Corporação Pecuária (CORFOGA), ressaltou a coordenação entre o setor produtivo e as instituições, mas observou que um dos principais desafios agora é fortalecer a cultura de informe entre os produtores.
No encerramento do evento, Gabriela Zúñiga, Representante do OIRSA na Costa Rica, enfatizou que o controle e eventual erradicação da LBG requer, portanto, uma coordenação regional, cooperação internacional e articulação institucional para converter decisões epidemiológicas em ações efetivas.
“Se cada um dos países não fizer a sua parte, torna-se muito difícil controlar e, posteriormente, erradicar a larva da mosca-do-berne. A cooperação que tem ocorrido na Costa Rica permitiu passar do alerta a uma resposta organizada, sustentável e articulada”, concluiu.
Mais informação:
Sacha Trelles, Coordenadora Técnica da Representação do IICA na Costa Rica.
sacha.trelles@iica.int