Washington, D.C., 10 de abril de 2026 (IICA) — Ministros e altos funcionários de Agricultura das Américas fizeram um chamado para melhorar a coordenação entre os países com o objetivo de reduzir vulnerabilidades dos sistemas agroalimentares, mitigar impactos e aproveitar as oportunidades que se apresentam no atual contexto global de choques geopolíticos e de mercado.
Em uma reunião de alto nível convocada pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), os representantes dos países destacaram o papel do organismo hemisférico como articulador da ação coletiva e promotor da divulgação de novas tecnologias que fortaleçam a capacidade de respostas da agricultura regional.
Indicaram, entre outras questões, a necessidade de reduzir a dependência de importações de fertilizantes e outros insumos agrícolas por meio do desenvolvimento do potencial que existe no continente para a produção de fertilizantes orgânicos e bioinsumos.
Também concordaram que é necessário um papel cada vez mais relevante da cooperação técnica para que as Américas aprofundem seu papel insubstituível para a segurança alimentar do mundo.
O encontro — do qual ministros e funcionários participaram de maneira virtual — ocorreu no âmbito da visita a Washington do Diretor Geral do IICA, Muhammad Ibrahim, que está seguindo em uma agenda de fortalecimento do setor agrícola regional com funcionários do governo dos Estados Unidos e de organismos internacionais de financiamento, alguns dos quais estiveram representados na reunião, assim como organizações do setor privado.
A discussão foi aberta por Kip Tom, um dos mais destacados líderes do setor agropecuário dos Estados Unidos e Vice-Presidente de Política Agrícola no America First Policy Institute (AFPI).
“O Hemisfério Ocidental é líder da agricultura global e alimenta bilhões de pessoas no mundo diariamente. Hoje, apesar da incerteza global, devemos ser um modelo de força e cooperação continental”, disse Tom, que destacou o estreito vínculo que existe hoje entre segurança alimentar e segurança nacional nos países.
Tom, que foi embaixador dos Estados Unidos nas agências de alimentação das Nações Unidas em Roma, destacou a necessidade do trabalho conjunto no hemisfério em busca de integração comercial e expansão de mercados. E observou que o papel do IICA como ponte entre os diversos atores “é hoje mais importante do que nunca para que as Américas sejam cada vez mais fortes”.
Ibrahim, por sua vez, enfatizou que os impactos dos conflitos geopolíticos e de mercado nos países da região não respondem a uma crise temporária, mas a vulnerabilidades estruturais. “Precisamos — apontou — reduzir a dependência na importações de fertilizantes por meio de alternativas que nos permitam ter uma cadeia de produção robusta. É especialmente crítica a questão dos fertilizantes baseados em nitrogênio, uma vez que cerca de 80% deles chegam do Oriente Médio. Por isso, hoje os pequenos produtores estão enfrentando riscos e incertezas”.
O Diretor Geral disse que o IICA está bem-posicionado para trabalhar com seus parceiros em soluções por meio de ferramentas tecnológicas que estão permitindo, por exemplo, o desenvolvimento de novas variedades de sementes para cultivos mais eficientes tanto em termos de produtividade como no uso de insumos.
Chamado à ação
O Ministro da Agricultura da Guiana, Zulfikar Mustapha, observou que a atual tensão geopolítica ocasionada pelo conflito no Oriente Médio é o lembrete mais atual de como os choques externos impactam os sistemas agroalimentares, e isso é particularmente acentuado nos países menores do Caribe.
Mustapha contou que a Guiana atualmente está construindo uma fábrica de fertilizantes, graças a suas significativas reservas de gás natural, com a qual se propõe a abastecer todos os países do Caribe, e que também está investindo no desenvolvimento da agricultura inteligente para melhorar sua resiliência perante choques externos.
Viviana Ruiz, Subsecretária de Inovação no Ministério da Agricultura do Equador, afirmou que o cenário atual coloca em evidência uma crescente interdependência entre os mercados de energia, fertilizantes e alimentos: “Os custos de produção em cultivos estratégicos estão levando a uma diminuição do uso de insumos. De todo modo, a situação também é uma oportunidade para uma transformação para maiores níveis de sustentabilidade e uma produção baixa em carbono. Hoje, mais do que nunca, a região requer atuar como unidade, com compromisso coletivo”.
Em nome de Julio Berdegué, Secretário de Agricultura do México, Santiago Ruy Sanchez de Orellana, Coordenador Geral de Assuntos Internacionais dessa entidade governamental, revelou que o país importa 75% dos fertilizantes, e que a pressão sobre os preços está chegando justamente quando os produtores se preparam para o plantio.
“Por meio da petroleira estatal, PEMEX, estamos ampliando a produção local de fertilizantes. Paralelamente, o México promove uma política de bioinsumos”, disse o funcionário, que acrescentou que “a cooperação hemisférica viabiliza a busca pela soberania alimentar, respeitando as prioridades de cada país. A soberania alimentar não se opõe ao comércio e à cooperação internacional; ao contrário, exige-os”.
Por sua vez, Agustín Tejeda, Subsecretário de Mercados Agroalimentares e Negociações Internacionais da Secretaria de Agricultura da Argentina, pediu que sejam evitadas respostas que agravem a situação, como restrições às exportações e outras intervenções que distorcem os mercados.
“Essa iniciativa do IICA, de convocar a coordenação de ações e políticas, é fundamental. Facilitar o comércio é essencial para amortecer o impacto dos choques, assim como reduzir impostos aduaneiros à importação de fertilizantes e promover tecnologias visando otimizar o uso de insumos. A resposta dos países da nossa região não deve ser de maior retração, mas de mais cooperação, mais eficiência, mais comércio e mais informações transparentes”, afirmou.
Também participaram do encontro: Diego Arias, Gerente de Agricultura e Alimentos do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe; Rocío Medina Bolívar, Diretora Regional do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA); e Marcelo Torres, Presidente da Associação Argentina de Produtores em Semeadura Direta (AAPRESID), eu enfatizaram as responsabilidades das Américas em tempos de pressão sobre a demanda global de alimentos e expressaram a necessidade de preservar os pequenos produtores.
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