São José, 12 de dezembro de 2025 (IICA) – Autoridades e equipes técnicas dos serviços veterinários de Estados Unidos, México, Belize, Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Costa Rica e Panamá se reuniram em São José para construir estratégias de resposta coordenada em movimento, vigilância e inspeção de animais, com vistas a fortalecer a coordenação regional para o controle e a prevenção da expansão da larva da mosca-do-berne do gado.
O encontro “Reunião de Coordenação Regional sobre o Movimento de Animais e o Controle da Larva da Mosca-do-Berne do Gado (GBG)” foi organizado pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) em colaboração com o Serviço de Inspeção de Sanidade Animal e Vegetal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA-APHIS). Participaram mais de 50 atores-chave, inclusive representantes do Organismo Internacional Regional de Sanidade Agropecuária (OIRSA) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
A GBG é uma praga propagada por uma mosca cujas larvas afetam principalmente o gado bovino, mas também afetam outras espécies domésticas e silvestres, além dos humanos. Sua reaparição, após mais de duas décadas de sua erradicação na região, volta a gerar impactos sanitários, econômicos e sociais significativos.
Manuel Otero, Diretor Geral do IICA, sublinhou que um sistema de temas de inspeção na América Central seria fundamental para frear o avanço da GBG e afirmou: “o IICA tem a capacidade de convocar todos os atores interessados neste tema tão importante e demonstrar que podemos ser de utilidade para os temas prioritários que estão condicionando o desenvolvimento agropecuário”.
Lloyd Day, Subdiretor Geral do IICA, ressaltou que o ressurgimento da GBG constitui uma ameaça urgente para a saúde animal e humana, a produtividade pecuária, o comércio e os meios de vida rurais, e enfatizou que só pode ser enfrentada com êxito por uma resposta regional coordenada. Destacou que a cooperação entre países “não é opcional, mas essencial” e reafirmou o compromisso do IICA de apoiar tecnicamente as nações.
Ibrahim Shaqir, Subdiretor Adjunto dos Serviços Internacionais do USDA-APHIS, lembrou que, embora existam muitos conhecimentos sobre essa praga, o surto atual implica novos desafios: “O trabalho deve centrar-se em alinhar os sistemas de vigilância, analisar os movimentos dos animais, encontrar formas práticas de compartilhar informações e mitigar riscos e fortalecer as práticas operacionais diárias no campo. Ademais, devem-se desenvolver capacidades a longo prazo, incluindo pesquisa para novas metodologias, e manter a transparência entre todos os países”.
A reunião promoveu um diálogo aberto sobre os sistemas de vigilância e os quadros normativos relacionados com o deslocamento de animais e os mecanismos de cumprimento da lei, identificando as prioridades regionais comuns e os enfoques de prevenção, controle e erradicação da GBG.
Raúl Rodas, Diretor do OIRSA, enfatizou a importância da geração de espaços de discussão e da relevância do trabalho em conjunto para se manter uma visão estratégica precisa: “este é um espaço de análise sobre o que fizemos e que deveremos fazer no futuro para obter êxito na contenção e erradicação desta doença”, asseverou. Por sua vez, Karin Garnier, oficial de ligação da FAO para a América do Norte, observou que, “a pedido de nossos Estados membros, estamos desenvolvendo um programa de quatro anos para abordar e mobilizar recursos orientados para o combate a doenças animais transfronteiriças, pelo que nos compraz estar aqui trabalhando de mãos dadas com vocês para maximizar o impacto”.
José Urdaz, Gerente do Programa de Sanidade Agropecuária, Inocuidade e Qualidade dos Agroalimentos do IICA, enfatizou o caráter estratégico do encontro, “que busca mudar o rumo mediante uma ação conjunta para fechar rotas de dispersão, reforçar a vigilância, a inspeção e o tratamento antes do movimento, reduzir o trânsito irregular e assegurar um intercâmbio de informações ágil”. Ademais, lembrou que nenhum país pode enfrentar sozinho esse desafio e que a região conseguiu erradicar a praga quando trabalhou de modo coordenado.
Os países compartilharam sua situação epidemiológica e as medidas nacionais de controle, analisaram quadros normativos de mobilização animal e mecanismos de cumprimento da lei e acordaram prioridades regionais para prevenir a expansão da praga. O encontro também permitiu o exame de avanços de planos nacionais e bilaterais e a exploração de oportunidades para ampliar estratégias que mostraram efetividade.
Adis Dijab, Administrador Adjunto Associado dos Serviços Veterinários do APHIS-USDA, compartilhou o plano de ação nos Estados Unidos, que se apoia em cinco eixos: “deter o movimento da praga no México; fortalecer a detecção na fronteira; colaborar com os estados para que estejam preparados para qualquer eventualidade sanitária; apresentar a realidade da praga; e impulsionar a inovação”.
Aprendizado importante do Plano de Ação Estados Unidos-México
No encontro, foram apresentados os protocolos de controle de movimento desenvolvidos no plano de ação Estados Unidos-México, incluídos os processos de inspeção, tratamento com ivermectina e certificação
Jeromy McKim, representante do APHIS-USDA, sublinhou a importância da integração dos produtores nas ações de controle. “Não existem cenários nem pessoal governamental suficientes para analisar todos os animais a cada dia; é necessário que o produtor seja parte ativa do programa”. Explicou que, embora atualmente se esteja avançando à frente da praga, o verdadeiro desafio surge quando um animal infectado consegue deslocar-se, permitindo que a mosca se disperse.
Gerardo Guerrero, Responsável pela Direção Geral de Inspeção Fitozoossanitária do México, observou que se está trabalhando para oferecer ao produtor “informação e capacitação para que o gado seja tratado desde a origem e que os temas de inspeção só sirvam de verificação”.
Finalmente, Armando García, Diretor da Comissão México-Estados Unidos para a Prevenção da Febre Aftosa e de Outras Doenças Exóticas dos Animais (CPA) do Serviço Nacional de Sanidade, Inocuidade e Qualidade Agroalimentar (SENASICA), advertiu que a praga colocou em evidência práticas inadequadas arraigadas há anos: “mudá-las implica uma grande resistência à mudança, mas não podemos continuar fazendo o mesmo e esperar resultados diferentes. Precisamos do compromisso total do pecuarista, do setor oficial e do médico”, expressou.
Este encontro fortaleceu os mecanismos de coordenação entre o IICA, o USDA, o OIRSA, a FAO e os serviços nacionais de saúde animal para garantir uma resposta oportuna, o intercâmbio de dados e o acompanhamento que permita controlar a propagação desta praga, estabelecendo um roteiro regional que orientará o trabalho coordenado.
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