Visita à fazenda Matos, onde é produzido o café orgânico Igaraçu, em Ibicoara
Foto: divulgação Poli-LAC
Brasília, 02 de setembro de 2026 (IICA) – A Chapada Diamantina (BA) recebeu cerca de 50 parceiros, entre gestores públicos, supervisores e especialistas do projeto regional Proteção dos Insetos Polinizadores na América Latina e no Caribe – Poli-LAC, implementado no âmbito das ações da cooperação Brasil-Alemanha. Foi a quarta Oficina de Intercâmbio Regional do Projeto, que acontece anualmente e inclui visitas técnicas de campo que ocorreram entre os dias 24 e 27 de agosto.
O Poli-LAC também é implementado na Costa Rica, no México, no Peru, que já receberam a Oficina; e no Paraguai, onde o encontro está programado para o ano que vem. As visitas técnicas ocorreram em propriedades que recebem assistência técnica do Poli-LAC. O grupo conheceu quatro propriedades rurais participantes do Projeto no Brasil e um melipolinário parceiro do Poli-LAC.
A polinização é um serviço ecossistêmico essencial para a segurança alimentar, a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento econômico. Estima-se que mais de 75% das culturas alimentares em todo o mundo dependem, em alguma medida, dos insetos polinizadores para a produção de frutos e sementes. No entanto, esses insetos estão ameaçados pelo uso excessivo de agrotóxicos, pela perda de habitats pelas mudanças climáticas.
Para ajudar a enfrentar esses desafios, o Projeto Poli-LAC atua em três frentes: apoio à gestão do conhecimento; à governança e ao desenvolvimento de políticas públicas e instrumentos de financiamento; e ao monitoramento de insetos e à implementação de Práticas Amigáveis aos Insetos Polinizadores – PAIPs em territórios selecionados.
“Essa troca de conhecimento é essencial para os países que implementam o Poli-LAC. Esperamos chegar a 2030, quando o Projeto será encerrado, com ricas experiências em cada paisagem piloto selecionada, como é Chapada Diamantina[LM1] , na Bahia. E também esperamos ter ótimas contribuições para os Planos de Ação Nacionais da Estratégia de Biodiversidade, e soluções para além de 2030”, disse Andreas Gettkant, da GIZ, diretor do Poli-LAC.
Frutas Vermelhas, café e maracujá
Sítio Frutas Vermelhas – Mucugê
No Sítio Frutas Vermelhas, em Mucugê, onde Uvilson Santos Oliveira cultiva morangos, mirtilos e amoras, o grupo recebeu explicações do produtor sobre a operação da propriedade e os benefícios de manter flores nativas que crescem espontaneamente entre as linhas de cultivo, muitas vezes conhecidas como ervas daninhas, como estratégia para manter recursos florais para insetos polinizadores o ano todo, mesmo quando seus cultivos não estão florescendo.
“Fiquei bem impressionado com o bom uso que ele faz dessas entrelinhas. É uma ótima estratégia”, disse Robin Naumann, gestor de Projetos na Iniciativa Internacional para o Clima (IKI), com sede na Alemanha.
Na propriedade de Uvilson, sob a coordenação da bióloga Marina Wolowski, da Rede Brasileira de Interação Planta Polinizador (Rebbip), o grupo usou o aplicativo FIT Count (abreviação de Flower-Insect Timed Counts) para o monitoramento e contagem de insetos polinizadores que visitam as flores, muito utilizado como ferramenta de ciência cidadã, uma das ações do Projeto conduzida pela Rebipp na Chapada Diamantina
O Secretário de Agricultura, Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente de Mucugê, José Ernesto Matos, é dono do empreendimento Licuri Experience onde em apenas um hectare planta café, cacau, açaí e outras culturas em sistema agroflorestal. Sua propriedade tem se tornado um modelo para os participantes do Projeto na Chapada.
Desde que aderiu à iniciativa, ele já inseriu caixinhas de quatro espécie de abelhas nativas na propriedade onde, além de diversificação ecológica de cultivos, possui cercas vivas, jardins, entrelinhas de cultivos e só aplica bioinsumos. “Ainda não tenho como contabilizar, mas, desde que inseri as caixinhas de abelhas, meu carrinho de açaí colhido vem com volume dobrado”, estima.
Café orgânico sem uso de agrotóxicos foi o tema da vista da Fazenda Matos, em Ibicoara, onde Tadeane Mattos planta e produz o café Igaraçu. Assim como todos os 30 produtores participante do Projeto, Tadeane recebeu o dignóstico de sustentabilidade Apoia-Melissa, desenvolvido pela Embrapa especialmente para a aplicação pela equipe Poli-LAC na propriedades inscritas.
Com o diagnóstico em mãos, Tadeane agora planeja as PAIPs que vai implementar na propriedade. Ela contou que planeja aumentar o número de cercas vivas, de bordaduras de cultivos, investir em um corredor ecológico e criar abelhas nativas sem ferrão para potencializar a polinização e, consequentemente, a qualidade de seu café.
Degustação do Café Igaraçu na Fazenda Matos
Vulnerável por causa do Fusarium oxysporum, fungo que causa a fusariose ou murcha do maracujazeiro, o maracujá, cultura em expansão na região, foi escolhido como um dos focos do projeto devido ao excessivo uso de agrotóxicos por produtores locais.
Na comunidade Jacaré, em Livramento de Nossa Senhora, Andrea de Carvalho Bonfim está implementando um jardim para polinizadores, quer ajuda do Projeto para melhorar suas cercas vivas e para implantar um sistema agroecológico com diversidade de cultivos, todos esses, entre outros, são manejos que integram o Catálogo de Práticas Amigáveis aos Polinizadores do Poli-LAC.
Mas Andrea também tem muito a oferecer aos demais participantes do Projeto e outros produtores da região. Ela é pioneira na região na técnica de enxertia de maracujá passiflora foetida e maracujá azedo, técnica que resulta em uma variedade mais resistente que possui imunidade natural ao fungo, o que ajuda na redução do uso de agrotóxicos.
Andrea Carvalho Bonfim, produtora de maracujá e Lucia Maia (IICA)
O grupo também visitou a propriedade de [LM1] Adílio Domingues, uma das três famílias do quilombo Bananal, em Rio de Contas, que aderiu ao projeto. Produtor de maracujá, manga e pokã, Adílio e sua mãe, Dona Maria, estudam as práticas amigáveis aos insetos polinizadores que vão começar a implementar em breve com assistência técnica do projeto.
Filarmônica 23 de Dezembro (Mucugê) Apresentação de Bedengó, Quilombo Barra Bananal
Recebidos pela Filarmônica 23 de Dezembro em Mucugê no início da Oficina Regional, ao final das visitas técnicas, o grupo assistiu a uma apresentação cultural tradicional de origem africana, o Bedengó, dança de roda que representa a identidade cultural e resistência dos povos escravizados.
Multiplicação de abelhas – Marcos Adriano Rocha apresentou ao grupo as seis espécies de abelhas nativas sem ferrão que cria no Meliponário Bee Origem, no Capãozinho, em Mucugê. Além de vender e alugar colmeias para sistemas produtivos, o espaço funciona como um local de imersão no tema e de educação ambiental.
Meliponilário Bee Origem, em Mucugê
Uma visita à Trilha dos Polinizadores, localizada no Parque Municipal Sempre Viva, em Mucugê, fez parte da programação. Desenvolvida em parceria entre a Prefeitura de Mucugê e docentes de biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 2011, este ano a trilha foi ressinalizada com apoio do Projeto Poli-LAC.
Governança Multinível
Da esquerda para direita: Carlos Alberto Pizarro (MAPA); Elliot Centeno (MMA), Sarita Denardi Vattathara (MDA), Andreas Gettkant (GIZ), Robin Naumann (IK), Luciana Santa Rita (governo da Bahia); Rinaldo Rossi, secretário de Meio Ambiente de Ibicoara; Ana Medrado, prefeita de Mucugê; José Ernesto Mattos, secretário de Agricultura, Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente de Mucugê; Jocely Bonfim, secretário de Agricultura de Rio de Contas; Lucia Maia (IICA), Marina Wowlowsaki (Rebipp), Mel Loureiro (Escola Estadual de Mucugê).
Com a presença da prefeita de Mucugê, Ana Medrado, e vários gestores públicos locais, estaduais e federais, durante a imersão na Chapada Diamantina houve espaço na agenda para reunir gestores públicos municipais, estaduais e federais e representantes dos implementadores do Projeto e financiadores do Poli-LAC para discutir as realizações e próximos desafios com relação a política públicas, regulamentações, além de sensibilização da sociedade, do setor produtivos e capacitação.
“Aqui na região, somos importantes produtores de alimentos e temos compromisso com a segurança alimentar. Daqui saem diversos tipos de alimentos para várias regiões do Brasil. Por isso, levamos a polinização a sério e precisamos deste projeto. Estamos muito agradecidos à cooperação Brasil-Alemanha e a todos os países que estamos recebendo aqui devido ao Poli-LAC”, disse a prefeita Ana Medrado.
O Poli-LAC é financiado pelo Ministério Federal Alemão para o Meio Ambiente, Proteção Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear (BMUKN), como parte da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI), e cofinanciado pela União Europeia no Paraguai. Parte da cooperação Brasil-Alemanha, o Poli-LAC é supervisionado pela GIZ.
No Brasil, sob a supervisão da especialista em sanidade agropecuária, inocuidade e qualidade dos alimentos Lucia Maia, a implementação das PAIPs e a mobilização e sensibilização das comunidades locais na Chapada Diamantina é conduzida pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).
Conheça as Práticas Amigáveis aos Insetos Polinizadores https://linktr.ee/PAIPS
E saiba mais sobre o Projeto Poli-LAC
https://linktr.ee/polilac.brasil
Mais Informações
Cláudia Dianni
Consultora de Comunicação
Projeto Poli-LAC
+ 55 61 99138 4898