Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura

Biocombustíveis

Os países das Américas buscam delinear estratégias conjuntas para fortalecer a produção de biocombustíveis na região

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Carlos Mateus da Federação de Biocombustíveis da Colômbia, moderando o painel sobre políticas e regulamentações de SAF na América Latina.

Rosário, Argentina, 26 de agosto de 2025 (IICA) — No âmbito da Semana do Clima, foi realizada na cidade argentina de Rosário a Cúpula Pan-Americana de Biocombustíveis Líquidos, um encontro internacional que marca a agenda e o futuro dos biocombustíveis líquidos na América e que buscou delinear estratégias conjuntas para fortalecer a produção de biocombustíveis na região e avançar para uma matriz energética mais sustentável.

A abertura oficial, na qual se destacaram os investimentos na região, aconteceu no Salão Terrazas de La Fluvial com a participação da Vice-Governadora de Santa Fe, Gisela Scaglia; do Ministro de Desenvolvimento Produtivo, Gustavo Puccini; a Secretária de Energia de Santa Fe, Verónica Geese; e o Presidente da Fundação Nova Geração Argentina (FNGA), Diego Sueiras.

Também participaram o Chefe de Gabinete municipal, Rogelio Biazzi; o Presidente da Câmara da Indústria de Óleo e Centro Exportador de Cereais (CIARA-CEC), Gustavo Idígoras; e Agustín Torroba, especialista internacional em biocombustíveis do Instituto Interamericano de Cooperação Agrícola (IICA) e Secretário Executivo da Coalizão Pan-Americana de Biocombustíveis Líquidos (CPBIO).

Contou com a participação de empresas e setores da Colômbia, Costa Rica, Paraguai, Uruguai, Brasil, Argentina, Chile, Guatemala, México e Estados Unidos, que promoveram a adoção de políticas ativas e mercados abertos de biocombustíveis, em que existam unicamente cortes obrigatórios.

II Congresso Pan-Americano de SAF

A Cúpula Pan-Americana de Biocombustíveis Líquidos reuniu-se em sessão por dois dias, representada por mais de 25 associações e entidades empresariais que promovem os biocombustíveis no continente americano.

Houve duas partes, em primeiro lugar, o II Congresso Pan-Americano de Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF), no qual continuaram as conversas iniciadas no ano passado no primeiro congresso, realizado em Bogotá.

O segundo congresso começou com uma conferência magna sobre a Rota Tecnológica HEFA, a cargo de Silvana Cuevas, Technology Licensing Manager da TOPSOE, que ressaltou que o futuro da transição energética na indústria de aviação está na mão de muitos, entre eles os produtores de matérias-primas e produtores de combustíveis.

“Na TOPSOE contribuímos com nossa experiência e tecnologias para acompanhá-los nesse caminho. O espaço gerado nessa Cúpula consegue integrar a comunicação necessária”, acrescentou Cuevas.

Agustín Torroba (IICA-CPBIO), durante a sessão de abertura da Cúpula.

Gustavo Idígoras, que moderou o painel sobre a cadeia de valor SAF, ressaltou a importância dos intensos encontros com a indústria da aeronáutica civil: “houve reuniões com empresas internacionais como Latam, Embraer e autoridades da OACI, dado que o futuro dos biocombustíveis líquidos — tanto de óleo vegetal como de milho e de cana — é abastecer os combustíveis sustentáveis de aviação nos próximos anos, e a indústria argentina tem um enorme potencial para aproveitar essa oportunidade”.

“Graças à qualidade de conferências, palestrantes e participantes do II Congresso Pan-Americano de SAF, pudemos nos atualizar em todas as frentes, como em regulamentação e políticas públicas, tecnologias disponíveis, matérias-primas, certificação e mercados atuais e potenciais para o SAF e o que vem por aí para os combustíveis sustentáveis de navegação (SMF), que está muito perto”, ressaltou Carlos Mateus, da Federação de Biocombustíveis da Colômbia, que moderou o painel sobre políticas e regulamentações de SAF na América Latina.

“Ainda restam importantes tarefas de consultoria e apoio para a task force da Coalizão e para formular propostas regionais para a COP30 no Brasil e para a 42ª assembleia da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), importantes compromissos no curto prazo com efeitos na viabilidade e sustentabilidade de nossas indústrias”, acrescentou.

“As apresentações magnas e painéis da Cúpula ofereceram uma abordagem ampla sobre a situação e desafios dos SAF e biocombustíveis, destacando-se os âmbitos políticos e institucionais, os aspectos técnicos e econômicos e, certamente, suas contribuições fundamentais para reduzir os gases de efeito estufa. A energia cultivada é o caminho”, comentou Jorge Feijoo, do Centro Açucareiro Argentino, que moderou a apresentação magna: Food vs Fuel: Produção de SAF e biocombustíveis.

Aida Lorenzo, da Associação de Combustíveis Renováveis da Guatemala, na apresentação do grupo técnico da CPBIO.

Conferência sobre biocombustíveis terrestres

No segundo dia da Cúpula, ocorreu a Conferência de Bicombustíveis Terrestres. No painel sobre sustentabilidade e pegada de carbono aconteceu a apresentação do grupo técnico da CPBIO.

 “A região deve aproveitar sua vantagem comparativa de dispor de uma importante biomassa para convertê-la em uma vantagem competitiva por meio da geração de biocombustíveis para a descarbonização do meio ambiente”, sustentou Carlos Castro, da PerúCaña, um dos participantes do grupo técnico da CPBIO.

“Essa cúpula tem servido para destacar o papel que dos biocombustíveis para descarbonizar o transporte terrestre e aéreo. Indubitavelmente a região pan-americana é importante para ajudar a mitigar a mudança do clima e continuar fornecendo esses combustíveis renováveis para o mundo”, explicou Aida Lorenzo, da Associação de Combustíveis Renováveis da Guatemala, que moderou a conferência magna: Política de SAF na UE: REFUEL.

Andrea Veríssimo, da União de Etanol de Milho do Brasil (UNEM), celebrou a organização do evento, a qual contou com a participação de diplomatas, empresários e representantes das diversas associações e um marcado interesse do público.

“Um resultado importante é a maior interação dos agentes de diversos países e a possibilidade de cooperação, com intercâmbio de dados, ideias e exemplos de políticas públicas”, acrescentou Veríssimo.

Roberto Braun, da Toyota, comentando sobre como a vasta infraestrutura de abastecimento de etanol do Brasil facilita a expansão de seus veículos com motores flex.

Para Patrick Adam, Presidente da Câmara de Bioetanol de Milho Argentina, ficou absolutamente demonstrado que, em países com enorme riqueza de biomassa, como os nossos, os biocombustíveis representam uma solução imediata e competitiva para uma transição energética bem-sucedida.

“Além da redução de gases de efeito estufa (GEE), os biocombustíveis têm um grande impacto no desenvolvimento federal: potencializam a agricultura, geram emprego de qualidade, permitem proporcionar valor agregado em origem. A região se consolida como motor dos biocombustíveis, tanto para o transporte terrestre, como o aéreo e o marítimo”, sustentou Adam.

Luis Fernando Salazar, da União de Açucareiros Latino-Americanos (UNALA), mencionou que, para a agroindústria açucareira latino-americana, é muito importante ter esse tipo de espaço para compartilhar boas práticas, tanto em nosso setor, como em outros países da região, e para aprender com práticas de países como o Brasil e a Argentina, que estão mais avançados em biocombustíveis, para assim replicá-las nos países em que ainda não há mandatos obrigatórios de mistura de etanol.

A consolidação de um setor pan-americano de biocombustíveis

A Cúpula foi um sucesso retumbante, uma vez que permitiu continuar consolidando os laços continentais do setor dos combustíveis e compartilhar experiências e conhecimentos de todos os países e participantes do ecossistema, entre eles representantes dos setores público e privado, membros de governos, produtores, associações, sindicatos, universidades e o grupo juvenil da CPBIO chamado ‘Champions’.

“Graças à Cúpula de Rosário, consolidou-se um setor pan-americano de biocombustíveis a ser ainda mais desenvolvido e uma agenda clara para, assim, continuar promovendo os biocombustíveis com mais compromisso,” concluiu Mateus. 

Mais informações:
Gerência de Comunicação Institucional
comunicacion.institucional@iica.int

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