Muhammad Ibrahim, Diretor Geral do IICA.
São José, 18 de fevereiro de 2026 (IICA). O Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e a Fundação CRUSA apresentaram seus avanços e resultados do projeto “De Turrialba à Mesa”, uma iniciativa que procura fortalecer a cadeia de produção do queijo Turrialba com denominação de origem, o único queijo da Costa Rica e do resto da América Central que conta com essa distinção.
O projeto, que foi implementado em 2024, visa habilitar a adoção de boas práticas produtivas, empresariais e ambientais em fazendas e plantas de processamento de leite e queijo Turrialba que contam com certificação ou estão realizando o processo para obtê-la, com o objetivo de melhorar o seu gerenciamento produtivo e acesso a mercados.
A iniciativa trabalha diretamente com 26 fazendas, 8 plantas de processamento de laticínios e organizações locais em Santa Cruz de Turrialba (a uns 55 km ao leste de São José) para impulsionar a adoção de boas práticas produtivas, empresariais e ambientais por meio de diagnósticos individualizados e planos de melhoria projetados segundo a realidade de cada unidade de produção.
De Turrialba à Mesa tem gerado resultados concretos no fortalecimento produtivo, ambiental e organizacional às fazendas ligadas ao queijo Turrialba com denominação de origem. Por meio dos planos de melhoria personalizados, 18 fazendas alcançaram níveis de conformidade iguais ou superiores a 80% e seis superaram os objetivos inicialmente estabelecidos, apoiadas por um investimento maior aos 40 milhões de colónes (uns USD 80 000) na infraestrutura de produção, gerenciamento ambiental e melhorias operativas.
Byron Salas, Diretor Executivo da Fundação CRUSA.
A iniciativa também avançou na rastreabilidade e a sustentabilidade do sistema de produção local, com a identificação e o registro de 900 animais no Sistema Nacional de Rastreabilidade Bovina, a oficialização de técnicos do território ante o Serviço Nacional de Saúde Animal (SENASA) e o mapeamento geoespacial de mais de 200 hectares reservados para a produção pecuária, uso florestal e cultivos complementários.
Esses esforços se traduziram em uma melhor planificação do uso dos solos, a otimização de pastagens em oito fazendas e o fortalecimento das condições necessárias para obter e manter a Denominação de Origem, consolidando um modelo de produção com maior valor agregado e projeção no longo prazo.
Este projeto coloca em foco as pessoas e a origem dos alimentos. De Turrialba à Mesa se converteu, para os produtores de queijo, em uma ferramenta crítica para fortalecer a sua atividade e fornecer proteção no longo prazo.
“Tenho mais de 40 anos produzindo leite e queijo em Santa Cruz de Turrialba. É uma atividade familiar que começou com o meu avó e hoje continuamos impulsionando com o olhar na continuidade e no futuro”, sinalizou Oscar Gamboa, produtor da planta de laticínios Lácteos La Esperanza.
Gamboa destacou que a iniciativa tem gerado mudanças concretas na sua rotina de produção. “O projeto nos ajudou a nos organizar, melhorar os processos, obedecer aos requerimentos sanitários e abrir oportunidades para acessar mercados melhores. Hoje produzimos com mais qualidade e com maior segurança para seguir adiante”.
Óscar Gamboa, produtor na fábrica de laticínios Lácteos La Esperanza em Santa Cruz, Turrialba, Costa Rica.
Acompanhamento institucional
Os resultados e os aprendizados do projeto foram apresentados no evento “Inovação, Sustentabilidade e Agro-cadeias: O modelo do queijo Turrialba com Denominação de Origem”, na sede central do IICA em Vásquez de Coronado, São José.
Durante o encontro, autoridades do IICA e da CRUSA destacaram o valor estratégico do projeto De Turrialba à Mesa como modelo de inovação territorial que fortalece a competitividade, a sustentabilidade e o reconhecimento do Queijo Turrialba com Denominação de Origem.
Muhammad Ibrahim, Diretor Geral do IICA, enfatizou que “Turrialba e Santa Cruz, na Costa Rica, têm um significado especial para mim, não só por ter vivido aqui durante muitos anos, mas porque representam uma referência em modelos de produção de laticínios que hoje incorporam valor agregado, diferenciação por origem e uma visão clara de sustentabilidade”.
Ibrahim adicionou que a experiência do Queijo Turrialba com Denominação de Origem tem despertado interesse além do país. “Nos últimos anos trouxemos visitas de vários países do Caribe para conhecer este modelo de produção, porque oferece aprendizados valiosos que podem ser adaptados e escalados para outros territórios”, assegurou.
Pela sua parte, Byron Salas, Diretor Executivo da Fundação CRUSA, enfatizou que o Queijo Turrialba com denominação de origem não é só um produto tradicional, mas um patrimônio cultural, economia local e uma oportunidade real de diferenciação em mercados cada vez mais exigentes. “Por isso, este projeto coloca o foco nas pessoas produtoras, seu conhecimento e seu vínculo com o território”, acentuou.
“Este não é um programa isolado nem assistencialista. É um modelo integral que combina diagnósticos e planos de melhoria personalizados, acompanhamento técnico contínuo, fortalecimento empresarial e associativo, gerenciamento ambiental, inovação, acesso aos mercados e comunicação estratégica. Aqui não falamos só de capacidades, falamos de mudanças reais na forma de produzir, gerenciar e comercializar”, enfatizou Salas.
O projeto “De Turrialba à Mesa” gerou resultados concretos no fortalecimento da produção, do meio ambiente e da organização das fazendas ligadas ao Queijo Turrialba com Denominação de Origem Protegida.
O encontro também reuniu produtores, representantes de câmaras, organismos de cooperação e técnicos de instituições ligadas ao setor, com o objetivo de analisar a replicabilidade do modelo em outras agro-cadeias e regiões do país.
Com o projeto De Turrialba à Mesa, o IICA e a CRUSA impulsionaram um modelo de intervenção orientado ao fortalecimento da cadeia do Queijo Turrialba com Denominação de Origem e a geração de aprendizados aplicáveis para outras agro-cadeias.
Mais informação:
Gerência de Comunicação Institucional do IICA.
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