Port of Spain, 20 de julho de 2026 (IICA). As micro e pequenas empresas agrícolas (AgroMPEs) do Caribe deixaram uma mensagem inequivocamente clara: elas não precisam de mais workshops sobre exportação, precisam de ações práticas que realmente movam seus produtos para mercados regionais e internacionais. Essa mensagem emergiu com força durante um fórum virtual regional de AgroMPEs chamado “Movendo os produtos para os mercados, literalmente!”, realizado pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e o Banco de Desenvolvimento do Caribe (CDB).
O fórum virtual faz parte de um projeto contínuo do IICA e do CDB voltado para o desenvolvimento das AgroMPEs, com o objetivo de ajudá-las a enfrentar uma das maiores limitações da região para a transformação agrícola e a segurança alimentar: levar produtos locais de qualidade dos produtores aos consumidores de maneira consistente e competitiva.
Segundo Diana Francis, Representante do IICA em Trinidad e Tobago e coordenadora do projeto, “esse fórum começa pela etapa final: literalmente colocar os produtos nas prateleiras, nos mercados locais e regionais e, potencialmente, além deles; o projeto visa ir além da capacitação convencional e dizer às AgroMPEs onde estão os mercados. Queremos ajudá-las a colocar seus produtos nas prateleiras e mantê-los lá.”
A iniciativa, financiada pelo CDB, apoia as AgroMPMEs em cinco países do Caribe por meio de três pilares integrados: facilitar o acesso ao mercado e testes de exportação, ampliar a capacidade de produção para atender a demanda de forma consistente e melhorar o acesso ao financiamento para expansão.
As realidades por trás da inovação, expansão e resultados comerciais no Caribe
O fórum regional proporcionou mais uma oportunidade para ouvir relatos em primeira mão de AgroMPEs, cujos negócios refletem a inovação e a resiliência que estão surgindo na região, mas que permanecem, em sua maioria, desconhecidos, subcapitalizados e subdesenvolvidos. De Antígua e Barbuda, a Shade Hydroponics (SHAADE) apresentou sua linha de chás de ervas de valor agregado, produtos de mel, pimentas e itens de bem-estar, todos produzidos a partir de ingredientes cultivados localmente. Embora tecnicamente preparada para mercados regionais, a empresa identificou conexões com compradores, suporte de embalagem, equipamentos de processamento e logística de exportação como os investimentos críticos necessários para escalar com sucesso.
De Dominica, a fundadora da Bee Natural, Terri Henry-Lovell, descreveu como seus produtos naturais de bem-estar premiados, desenvolvidos a partir de mel, cera de abelha e própolis de origem local, já chegaram a vários mercados do Caribe, apesar das significativas restrições logísticas. De acordo com sua experiência, muitas pequenas empresas insulares enfrentam um desafio comum: as exportações frequentemente dependem de viajantes transportando produtos em bagagem pessoal, pois opções confiáveis e acessíveis de frete aéreo ou marítimo regional continuam limitadas.
Embora exista essa demanda em todo o Caribe, as AgroMPEs continuam a enfrentar obstáculos, incluindo serviços de frete inconsistentes, altos custos de transporte, limitações da cadeia de frio, procedimentos aduaneiros, custos de embalagem e dificuldades para acessar distribuidores. Representantes do operador logístico Onboard Freight and Logistics participaram de discussões sobre soluções práticas de transporte, procedimentos aduaneiros e oportunidades de consolidação de cargas para exportadores de pequeno volume. Também participaram do fórum varejistas do Caribe, que enfatizaram a necessidade de uma documentação de exportação mais consistente, maior conscientização sobre os procedimentos de certificação da CARICOM entre os produtores e uma coordenação mais forte entre exportadores, distribuidores e operadores logísticos.
Aproveitar, canalizar e promover o potencial das AgroMPEs
O Caribe tem grande potencial para produzir produtos de qualidade. As discussões francas no fórum reforçaram a visão de que o Caribe possui o talento empreendedor, produtos inovadores e oportunidades de mercado necessários para o sucesso. Para a Representação do IICA em Trinidad e Tobago, isso é muito evidente ao trabalhar em estreita colaboração com um grande número de AgroMPEs ao longo dos últimos sete anos, pelo menos.
O próximo passo é criar sistemas, parcerias e logísticas que permitam a essas empresas competir, crescer e prosperar. Para as AgroMPEs, isso continua sendo uma batalha difícil, como resumido pelo economista do CDB Xavier Ajani Malcolm durante a 56ª Reunião Anual do CDB no início deste ano em Nassau, Bahamas. De acordo com Malcom, “a prevalência do emprego informal limita a capacidade da região de aumentar a produção porque as empresas permanecem fragmentadas, em vez de se transformarem em empresas maiores capazes de aumentar rapidamente a produção. Isso também dificulta a inovação tecnológica, pois são necessárias instituições formais para difundir novas tecnologias de maneira planejada e coordenada… Ter grandes organizações que podem aumentar imediatamente a produção é melhor do que ter conjuntos fragmentados de empregos informais”.
É verdade que o setor de AgroMPEs permanece fragmentado, e o mesmo vale para o setor agrícola em geral. Em 2005, um setor privado fragmentado e desorganizado na agricultura ocupou o quarto lugar entre as dez principais restrições vinculantes da Iniciativa Jagdeo, uma estrutura regional estratégica focada em remover restrições ao desenvolvimento agrícola e melhorar a segurança alimentar.
Embora os produtos agroalimentares de valor agregado estejam listados como prioridade para metas de expansão da produção, exportações e substituição de importações no quadro estratégico “CARICOM 25 x 2025 + 5”, as limitações de 2005 ainda persistem, sobretudo para o grande e crescente número de AgroMPEs. Aproveitar, canalizar e promover efetivamente o potencial de sua criatividade e diversidade de produtos agropecuários alimentares e não alimentares é essencial não apenas para impulsionar a meta de exportação, mas também para injetar dinamismo e formalidade no setor agrícola, que é o produtor final das matérias-primas agrícolas. Portanto, investir em AgroMPEs dentro de uma estrutura mais ampla de desenvolvimento de MPMEs e da agricultura é vantajoso para todos.
Os participantes concordaram que nenhuma instituição pode resolver esses desafios de forma independente. Em vez disso, parcerias coordenadas entre governos, agências de desenvolvimento, empresas privadas de logística, distribuidores, financiadores e organizações de apoio empresarial serão essenciais para construir cadeias de valor regionais sustentáveis.
O Representante do IICA em Barbados, Allister Glean, ressaltou a importância de “focar em intervenções práticas, em vez de atividades de treinamento isoladas para apoiar empresas desde os estágios iniciais de desenvolvimento até a participação sustentada nos mercados do Caribe e extrarregionais”. A iniciativa IICA-CDB visa ir além dos programas de treinamento tradicionais, oferecendo aos empreendedores um apoio tangível que possibilite um crescimento comercial real, incluindo melhorias em embalagens e marcas, acesso a distribuidores, realização de testes de exportação, fortalecimento da conformidade com os requisitos do mercado e obtenção do financiamento necessário para ampliar de forma sustentável e exportar. Conforme os participantes concluíram, em última instância, o sucesso resultará do número de produtos caribenhos que chegarem consistentemente aos consumidores em toda a região e além.
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