Líderes da América Latina e o Reino Unido compartilharam experiências e refletiram sobre como promover a bioeconomia para que o potencial regional se converta em liderança global.
Cidade do Panamá, 10 de março de 2026 (IICA) — Cerca de 80 líderes de 12 países da América Latina trocaram experiências sobre os avanços significativos realizados em bioeconomia e discutiram, juntamente com delegados do Reino Unido, quais são as políticas, estratégias e investimentos necessários para que as vantagens comparativas da região se traduzam em liderança global.
O encontro aconteceu no Panamá e foi a terceira edição da Comunidade de Prática (CoP) de Bioeconomia. Trata-se de uma iniciativa regional de cooperação estratégica entre o Reino Unido e a América Latina que promove o diálogo técnico e o aprendizado mútuo para fomentar a bioeconomia como motor do crescimento verde.
A organização esteve a cargo da Embaixada Britânica no Panamá, do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e da Secretaria Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SENACYT) do Panamá.
O Reino Unido lidera essa iniciativa como parte de sua estratégia de cooperação em ciência, inovação, clima e natureza na América Latina, enquanto o IICA e a Rede Latino-Americana de Bioeconomia contribuem com sua experiência técnica e capacidade de articulação regional.
A edição 2026 contou com o compromisso do Governo do Panamá, que está em processo de construção da Estratégia Nacional de Bioeconomia e busca posicionar o país como um espaço de diálogo regional e internacional no assunto.
No encontro, destacou a participação do Chanceler panamenho, Javier Martínez-Acha Vásquez, bem como de representantes de governos, agências de ciência e tecnologia, centros de pesquisa, da academia, agências de financiamento, do setor privado e organismos internacionais, como o Banco Mundial, BIOFIN, UNESCO e a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).
O IICA foi representado pelo Subdiretor Geral, Lloyd Day; o Representante do IICA no Panamá, Miguel Ángel Arvelo; o Gerente do Programa de Inovação e Bioeconomia, Hugo Chavarría; e os especialistas Agustín Torroba e Harold Gamboa, que forneceram a perspectiva técnica regional em temas de biocombustíveis e bioinsumos.
“O Panamá é um país que respira verde”, afirmou o Chanceler, e destacou que é uma das poucas nações no mundo que absorve mais dióxido de carbono do que emite.
Martínez-Acha acrescentou que seu país busca ser reconhecido como líder em transformação sustentável, que aproveita sua biodiversidade e seu status de carbono negativo para atrair inovação e crescimento verde.
Nesse sentido, destacou a bioeconomia como o motor estratégico que permitirá ao Panamá e ao restante da região enfrentar desafios globais mediante a articulação da ciência, setor privado e proteção ambiental.
O Chanceler também disse que o Panamá trabalha estreitamente com parceiros como o IICA e o Reino Unido para obter cooperação técnica e financiamento que permitam implementar projetos de sustentabilidade com impacto real no território.
Miguel Angel Arvelo, Representante do IICA no Panamá; Fernando Moretti, Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia e Conexsus; Hugo Chavarría, Gerente de Inovação e Bioeconomia do IICA; Guillermo Anlló, Especialista Sênior do Programa em CTI da UNESCO; Claudia Betancur, Diretora DA Biointropic Colômbia; Margaret Pimentel, Deputada Suplente e Diretora da Comissão de Meio Ambiente; Greg Houston, Embaixador do Reino Unido no Panamá; Sandra Sharry, Diretora do Sistema Nacional de Pesquisa, Panamá; Lenin Ulate, Deputado da Assembleia Nacional do Panamá y Francisco Buchara, Cofundador e Sócio-Administrador da SF500.
Lloyd Day afirmou que o encontro foi uma oportunidade para intercambiar experiências e identificar projetos conjuntos, fortalecer instrumentos financeiros e regulatórios e construir uma agenda regional de trabalho permanente.
“No IICA e na Rede Latino-Americana de Bioeconomia, que reúne mais de 100 instituições de 18 países, nós nos colocamos à disposição para consolidar uma plataforma regional para acompanhar os países na elaboração, implementação e dimensionamento de seus estratégia, políticas e investimentos”, afirmou o Subdiretor Geral do Instituto.
Hugo Chavarría enfatizou que a região superou a fase conceitual e sua bioeconomia já mostra avanços concretos em estratégias nacionais e setoriais, bem como em estruturas regulatórias em biotecnologia, bioinsumos e biocombustíveis.
“Países como Costa Rica, Colômbia, Brasil, Argentina, Uruguai e México têm avançado na construção de estratégias e políticas nacionais e hoje estão em fases de implementação. Outros como Equador, Peru e Panamá também têm apostado na bioeconomia como modelo de desenvolvimento sustentável e estão atualmente em processos de formulação de suas estruturas estratégicas”, observou.
Chavarría deu detalhes sobre os negócios bioeconômicos reais que já ocorrem em países da América Latina e destacou o crescente alinhamento dos bancos públicos e privados com a agenda verde. “Existem fundos e projetos em andamento, como o Amazon Bioeconomy Fund, que mobilizam centenas de milhões de dólares para bioeconomia, restauração e agricultura baixa em carbono”, expressou Chavarría.
O Gerente do programa de Inovação e Bioeconomia do IICA assegurou que a América Latina e o Caribe têm condições inigualáveis — em biodiversidade, biomassa, base agroindustrial, capacidades científicas e mercados em expansão — e avançaram significativamente na última década, mas alertou que persistem desafios comuns em financiamento, dimensionamento tecnológico, harmonização regulatória e coordenação institucional.
A missão do IICA no Panamá se enquadrou nos esforços que esse organismo, juntamente com mais de 100 instituições da região, promove para consolidar a Rede Latino-Americana de Bioeconomia como o espaço regional de articulação e construção coletiva da agenda de bioeconomia nas Américas.
A Rede se vem posicionando como o âmbito para definir em conjunto os princípios diretores da bioeconomia regional e avançar de maneira coordenada na capacitação, desenvolvimento de estratégias e políticas públicas, fortalecimento científico-tecnológico, financiamento, construção de métricas, promoção de bioempreendimentos e posicionamento da região na agenda global, entre outros temas estratégicos.
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