Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura

Agricultura Desenvolvimento rural

IICA promove a conservação do mortiño e a agrobiodiversidade no Equador por meio do projeto Sacha Ñawi

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O mortiño cresce nos páramos da Serra equatoriana, ecossistemas frágeis e cada vez mais pressionados pela expansão agrícola e o aumento da demanda comercial.

Quito, Equador, 23 de março de 2026 (IICA) Nos páramos andinos do Equador, cresce um pequeno fruto silvestre profundamente ligado à cultura e a biodiversidade do país: o mortiño. Esse fruto, conhecido também como arando-agraz, é hoje um exemplo das crescentes pressões sobre esses ecossistemas e do aumento de sua demanda comercial.

Frente a essa situação, o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) promove o projeto Sacha Ñawi, uma iniciativa destinada a conservar espécies silvestres comestíveis e seus parentes agrícolas, fortalecer a agrobiodiversidade e gerar oportunidades sustentáveis para as comunidades rurais.

A iniciativa faz parte do projeto Conservação e uso sustentável de parentes silvestres de cultivos e espécies silvestres comestíveis, sob uma estrutura institucional e desenvolvimento de iniciativas comunitárias rurais no Equador, promovido com o Ministério do Ambiente e Energia e o Instituto Nacional de Pesquisas Agropecuárias (INIAP).

Além disso, ela conta com financiamento do Fundo para o Meio Ambiente Mundial e é implementada pela FAO Equador em articulação com universidades, governos locais e organizações do território.

O objetivo do projeto é fortalecer os mecanismos institucionais para a conservação e o uso sustentável dos parentes silvestres de cultivos e espécies silvestres comestíveis, integrando-os a planos e estratégias nacionais e locais para contribuir para a proteção da agrobiodiversidade e o desenvolvimento dos meios de vida rurais.

Mortiño: um fruto emblemático sob pressão

Um dos casos emblemáticos que o Sacha Ñawi aborda é o mortiño (Vaccinium floribundum), uma espécie silvestre comestível parente do famoso mirtilo. Trata-se de um arbusto profundamente vinculado à cultura andina. Seu fruto, por exemplo, é o ingrediente principal da tradicional colada morada, bebida característica do Dia dos Finados.

O mortiño cresce nos páramos da Serra equatoriana, ecossistemas frágeis e cada vez mais pressionados pela expansão agrícola e o aumento da demanda comercial. Diferentemente de outros frutos, ele ainda não foi domesticado de maneira estável, de modo que o seu aproveitamento depende da coleta silvestre, principalmente entre os meses de setembro e outubro.

Nos últimos anos, a massificação do consumo de colada morada e o surgimento de novos produtos derivados — como vinhos e geleias de mortiño — aumentaram significativamente a extração nos páramos, gerando riscos para a sustentabilidade da espécie, se não forem estabelecidos mecanismos adequados de gestão.

Com esse preocupante cenário de fundo, o projeto Sacha Ñawi trabalha no cantão Cotacachi, na província de Imbabura, no norte do Equador, em ações concretas para a conservação e o uso sustentável do mortiño. Em conjunto com o INIAP e a Universidade Técnica do Norte, foi desenvolvidos um inventário da diversidade do mortiño no território, um marco que permitirá identificar áreas prioritárias de conservação com maior diversidade genética.

Os especialistas também trabalham no desenvolvimento de uma normativa para regular o aproveitamento da planta sem afetar os meios de vida comunitários e na elaboração de um plano estratégico para a conservação de outras espécies silvestres comestíveis.

Também se aposta no fortalecimento da cadeia de valor do mortiño, promovendo incentivos para a sua conservação, acesso a mercados diferenciados e uma melhor organização comercial das comunidades que o produzem.

Juntamente com Cotacachi, outros cantões participam do programa: Archidona, Tena e Arosemena Tola, na província de Napo. Todas são zonas que fazem parte dos biomas andino e amazônico, uma região reconhecida como de importância mundial e que abriga várias áreas protegidas e reservas ecológicas.

Nesses territórios, onde biodiversidade e cultura se entrelaçam há séculos, o desafio é encontrar formas de proteger espécies como o mortiño sem romper o vínculo entre os ecossistemas e as comunidades que vivem deles.

Vídeo sobre a iniciativa (em espanhol):

Mais informação:
Gerência de Comunicação Institucional do IICA.
comunicacion.institucional@iica.int

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