Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura

Agricultura

Melhoramento genético, gerenciamento e biotecnologia impulsionam o crescimento do trigo brasileiro, que mostrou o seu potencial em seminário organizado pela EMBRAPA e o IICA

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O evento foi organizado pelo IICA em colaboração com a EMBRAPA e reuniu representantes dos setores público e privado, instituições de pesquisa, organizações internacionais, pessoal de embaixadas e organizações de produtores.

Brasília, 19 de junho de 2025 (IICA) – Os avanços científicos para o melhoramento genético, gerenciamento e biotecnologia são ferramentas essenciais para que os produtores brasileiros de trigo superem os desafios que enfrentam, expandam sua produção de forma sustentável e percorram com esse cultivo a mesma trajetória de crescimento da soja.

Essa foi uma das conclusões apresentadas pelo Diretor de Trigo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), Jorge Lemainski, durante um seminário desenvolvido na Representação no Brasil do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

O evento foi organizado pelo IICA em colaboração com a EMBRAPA e reuniu representantes dos setores público e privado, instituições de pesquisa, organizações internacionais, pessoal de embaixadas e organizações de produtores para debater os desafios da cadeia de abastecimento de trigo e sua contribuição para a segurança alimentar, os avanços tecnológicos e como a ciência está garantindo a produção e expansão desse cultivo no Cerrado Brasileiro, um bioma com características parecidas à savana africana.

A Presidente da EMBRAPA, Sílvia Massruhá, destacou o papel da ciência e da cooperação no desenvolvimento da agricultura. Mostrou, neste sentido, que entre 2018 e 2023 a superfície semeada com trigo cresceu aproximadamente 110% no centro-oeste do Brasil, e a produção 130%.

“A agricultura brasileira é impulsionada pela ciência e nos agrada enormemente colaborar com o IICA para melhorar o trigo na América do Sul e no Brasil, posicionando os nossos países como os maiores produtores de alimentos e contribuindo para a agenda global de paz”, declarou Massruhá.

Segundo o Diretor da EMBRAPA Trigo, os resultados da pesquisa em melhoramento genético e na erradicação de doenças poderão levar o país à autossuficiência no trigo. Também mostrou por que o trigo poderia ter o mesmo sucesso da soja no Cerrado. “A pesquisa levou o Brasil de ser um importador a se converter no maior exportador neto de alimentos do mundo. Com o trigo, o nosso objetivo é alcançar um volume de produção de 20 milhões de toneladas até 2030”, explicou.

Uma pesquisa pioneira publicada pela EMBRAPA em abril mostrou que o trigo produzido no Brasil tem uma pegada de carbono menor que a média mundial. O estudo, realizado em fazendas e na indústria moleira do sudeste do Paraná, indicou que a adoção de práticas e tecnologias sustentáveis já disponíveis pode reduzir ainda mais a pegada de carbono do trigo, tornando este cultivo mais atraente em um cenário de luta contra a mudança climática, como enfatizou Jorge Lemainski.

O Representante do IICA no Brasil, Gabriel Delgado, ressaltou a importância do intercâmbio de conhecimentos entre países do hemisfério sul para superar os obstáculos nas cadeias de produção: “O nosso objetivo hoje é compartilhar ciência, experiências práticas e oportunidades de cooperação que contribuam para o fortalecimento da cadeia de produção do trigo no Brasil, desde a genética até o mercado global, do campo até a mesa”.

Além da apresentação sobre as possibilidades de expansão do cultivo de trigo no Brasil, os participantes debateram sobre a evolução genética e os desafios da indústria moleiro, bem como sobre as possibilidades comerciais do trigo brasileiro no mercado internacional.

Federico Trucco, Diretor Executivo Global da Bioceres, destacou a necessidade de procurar tecnologias sustentáveis. “O trigo pode alcançar um nível de competitividade diferente por meio da biotecnologia. No Brasil, é evidente que a oportunidade reside na região central (Cerrado), já que não há lugar no mundo onde se possa triplicar a superfície dedicada ao trigo. Existe um conjunto de soluções que podemos contribuir. Acreditamos que podemos trabalhar juntos para fomentar o investimento na pesquisa e tornar realidade esse sonho de 20 milhões de toneladas”, explicou.

Desafios e biocombustíveis

O representante da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Thiago Pereira, destacou os desafios que o setor enfrenta, principalmente ante a emergência climática que afeta os produtores e o mercado. “A região central experimentou uma queda na produção de 64 bolsas a 54 em 2025. Estamos trabalhando no monitoramento e propondo medidas. Do ponto de vista estrutural, a falta de armazenamento continuará sendo um problema que afeta o preço do produto”.

Ao apresentar as propostas do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o Diretor de Análise Econômica e Políticas Públicas, Sílvio Farnese, disse que o trabalho da EMBRAPA com o IICA é fundamental para unificar visões nos pontos que requerem atenção e avanços.

O trigo no Brasil

Na década de 1970, a produtividade do trigo no Brasil era de 600 quilos por hectare (kg/ha). Hoje em dia, a produtividade média nacional supera os 3.000 kg/ha e inclusive excede os 10.000 kg/ha no trigo de regadio. A pesquisa para maximizar a eficiência do cultivo, com sustentabilidade econômica e ambiental, acompanha o crescimento.

Durante o período de 2017 a 2021, a produção de trigo no Brasil cresceu 80%, enquanto a superfície aumentou somente 43%. Se estão incorporando rapidamente novas áreas aptas para o cultivo ao sistema de produção, com a segurança de contar com o conhecimento necessário para sustentar a produção.

Mais informação:
Gerência de Comunicação Institucional do IICA.
comunicacion.institucional@iica.int

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