Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura

Agricultura

Resíduos agrícolas poderiam se transformar em eletricidade na Costa Rica com um novo projeto promovido pelo Ministério de Meio-Ambiente e Energia e o IICA

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Ronny Rodriguez Chaves, Vice-ministro de Energia do MINAE da Costa Rica, e Muhammad Ibrahim, Diretor Geral do IICA.

São José, 24 de março, 2026 (IICA).  Cada safra, cada colheita e cada processo agroindustrial na Costa Rica deixam toneladas de subprodutos do setor agroalimentar, porém o que até agora era um desafio ambiental poderia se transformar em uma nova fonte de eletricidade limpa, capaz de fortalecer a segurança energética do país da América Central e reduzir a sua dependência em combustíveis fósseis.

Com esse objetivo, o Ministério do Meio-Ambiente e Energia (MINAE) da Costa Rica e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) avançam na preparação de um projeto nacional que procura gerar eletricidade a partir da biomassa, com base em subprodutos do setor agroalimentar como bagaço de cana-de-açúcar, restos de café, palma de óleo, madeira e outros resíduos orgânicos.

A iniciativa será apresentada ao Fundo Verde para o Clima, o maior mecanismo financeiro internacional para projetos de resiliência climática, e visa converter o desafio ambiental em uma oportunidade energética e produtiva para a Costa Rica.

“O país tem um enorme potencial para aproveitar de forma mais eficiente os resíduos gerados pelo seu setor agroalimentar”, sinalizou Muhammad Ibrahim, Diretor Geral do IICA.  “Em um contexto de volatilidade nos preços dos combustíveis e crescentes custos de produção, impulsionar soluções baseadas na biomassa é essencial para fortalecer a segurança energética e a resiliência dos sistemas agroalimentares”.

O projeto, chamado Desenvolvimento de capacidades adaptativas e geração de eletricidade com biomassa na Costa Rica por meio da gestão integrada de resíduos na indústria agroalimentar, propõe mudar a perspectiva: passar de pensar nos subprodutos agrícolas como resíduos a tratá-los como materiais para a produção de energia renovável e a economia circular.

Ibrahim destacou que a iniciativa responde a um foco integral que articula agricultura, energia, meio-ambiente e saúde, e que se alinha com o novo Plano de Médio Prazo 2026-2030 do organismo hemisférico. “A aposta é trabalhar junto com os governos, o setor privado e outros atores críticos para acompanhar os produtores com inovação, assistência técnica e soluções concretas ante os desafios ambientais”, assegurou o Diretor Geral do IICA.

Para o MINAE, o projeto abre uma janela estratégica em momentos em que o país enfrenta episódios de estresse hídrico que afetam a geração hidroelétrica.  Segundo Ronny Rodriguez Chaves, Vice-ministro de Energia, a biomassa pode se converter em um complemento crítico da rede elétrica nacional.

“A geração de eletricidade a partir da biomassa permite aproveitar subprodutos do setor agroalimentar, diversificar a rede energética e reduzir a dependência nas fontes fósseis, principalmente em cenários de pressão ambiental”, explicou Rodriguez.  “Este trabalho em conjunto com o IICA procura sentar bases técnicas sólidas para apresentar um projeto robusto ante o Fundo Verde para o Clima, alinhado com as prioridades nacionais de descarbonização e desenvolvimento sustentável”.

Do campo à energia

O projeto contempla o desenvolvimento de projetos piloto de geração elétrica com biomassa, com uma capacidade instalada conjunta de mais ou menos 30 megawatts, utilizando subprodutos agrícolas que hoje tem um uso limitado ou geram custos de disposição.

A iniciativa permitirá substituir parte da geração térmica, reduzir emissões contaminantes e fortalecer práticas de economia circular no setor agroalimentar, enquanto gera benefícios econômicos e ambientais para as zonas rurais.

A estimativa é que o projeto poderia beneficiar de forma direta a mais de 27.000 pessoas e de forma indireta a mais de 1,6 milhões, ao melhorar a segurança energética, fortalecer a resiliência de produção e promover um desenvolvimento mais sustentável no território.

Um esforço de país

A preparação do projeto envolve atores nacionais críticos como o Instituto Costarricense de Eletricidade (ICE), o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAG), organizações do setor da produção e centros de pesquisa, com o objetivo de assegurar uma proposta tecnicamente viável e alinhada com as prioridades da Costa Rica.

A iniciativa é parte da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) da Costa Rica e do Programa País do Fundo Verde para o Clima, reforçando a liderança dessa nação na procura de soluções inovadoras para avançar para um modelo energético de baixas emissões, resiliente e baseado em seus próprios recursos.

Mais informação:
Gerência de Comunicação Institucional do IICA.
comunicacion.institucional@iica.int

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