Washington D.C., 13 de abril de 2026 (IICA) — O mundo não terá segurança alimentar, energética e ambiental sem a agricultura das Américas, disse o Diretor Geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Muhammad Ibrahim, que foi convidado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) a falar sobre o papel que o setor agrícola deve cumprir em uma agenda para o desenvolvimento da região.
Ibrahim conversou em Washington com Pedro Martel, chefe da Divisão de Agricultura e Desenvolvimento Rural do organismo financeiro multilateral, diante de cerca de 240 participantes presenciais e virtuais, os quais intervieram com perguntas e valiosas contribuições.
Martel e Ibrahim concordaram em focar na importância estratégica global da agricultura das Américas, região que é a mais importante exportadora líquida de alimentos do mundo e é responsável por 22% da produção global.
O diretor do BID chamou a atenção para o fato de que, apesar desses dados, 28% da população da região enfrenta insegurança alimentar.
“No BID estamos analisando a produtividade agrícola da América Latina e do Caribe nos últimos 60 anos. Embora ela tenha crescido de forma significativa nesse período, desacelerou fortemente entre 2010 e 2020, principalmente por hiatos de eficiência técnica. O grande desafio hoje é reativar a produtividade e o crescimento, cuidando dos recursos naturais”, disse.
Tanto Martel como Ibrahim indicaram a importância da parceria entre o IICA, que aporta seu conhecimento técnico, capacidade de articulação regional e trabalho de campo, e o BID, dono de uma enorme gama de instrumentos financeiros disponíveis para projetos de desenvolvimento na América Latina e no Caribe.
A agenda conjunta do BID e do IICA inclui projetos de médio prazo destinados a reduzir vulnerabilidades estruturais em temas como infraestrutura e logística alimentar, inclusão produtiva e saúde animal e vegetal. As iniciativas de longo prazo dispõem do desenvolvimento da bioeconomia como uma estratégia central na transformação produtiva dos territórios rurais do continente.
“O IICA e o BID têm uma oportunidade única para aprofundar seu trabalho conjunto e apoiar os países, de maneira que sua base produtiva seja mais competitiva e resiliente. A agricultura das Américas tem a escala, os recursos e as capacidades para liderar o futuro dos sistemas agroalimentares globais. Mas essa liderança não está garantida; ela dependerá das decisões que tomamos hoje”, sustentou Ibrahim.
Vulnerabilidades e transformação
O Diretor Geral do IICA fez uma análise da situação regional perante os choques geopolíticos e de mercado que atualmente impactam os sistemas agroalimentares e observou que não basta uma boa resposta, mas é necessária uma transformação estrutural que fortaleça a resiliência e a competitividade.
“Os sistemas agroalimentares globais estão sofrendo, com uma frequência cada vez maior, choques no terreno climático, geopolítico, logístico ou de mercado que muitas vezes são simultâneos e estão conectados. Não podemos considerá-los como episódios isolados; precisamos saber que estão redefinindo as condições de produção, comércio e segurança alimentar”, afirmou.
Ibrahim alertou que os choques externos não afetam a todos da mesma maneira, uma vez que isso depende das desigualdades previamente existentes: “O impacto e as capacidades de respostas são muito diferentes. Os que mais sofrem são os pequenos agricultores, e, quanto aos países, há um hiato tecnológico que amplia as desigualdades: os mais avançados em ciência e tecnologia aplicada à produtividade e resiliência podem responder muito melhor”.
“Por isso — explicou —, o papel do IICA é fundamental para ajudar na transferência de conhecimentos entre os países, para apoiar os que mais precisam. Nós nos fixamos essa meta e estamos preparados para alcançá-la”.
Ibrahim também se referiu à dependência externa de insumos agropecuários estratégicos externos como uma fonte de vulnerabilidade e, nesse sentido, focou nos fertilizantes e na energia.
“Em países da América Latina e do Caribe — alertou —, a dependência na importação de fertilizantes é muito alta. Uma potência agroalimentar global, como o Brasil, importa mais de 80% de seus fertilizantes. Os insumos, em geral, têm uma incidência nos custos de produção agrícola que pode chegar a 70% nos sistemas mecanizados. Em consequência, o modelo produtivo define a vulnerabilidade: quanto maior dependência de insumos estratégicos importados, maior a exposição a choques externos”.
O Diretor Geral do IICA considerou, no entanto, que a competitividade e a resiliência não dependem de um só fator, mas da forma como produtividade, insumos, diversificação e logística interagem.
“Nossos sistemas agroalimentares — concluiu — reduzirão suas vulnerabilidades estruturais mediante uma transformação de seus fundamentos que aumente a sua produtividade e reduza a sua dependência de insumos estratégicos externos. Por sua vez, isso se traduzirá em melhores receitas para os agricultores e maior disponibilidade de alimentos acessíveis e nutritivos para todos”.
Em sua intervenção em Washington D.C., Muhammad Ibrahim destacou a urgência de transformar os sistemas agroalimentares das Américas para torná-los mais resilientes e produtivos.
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