- O Brasil concentra 78% das startups mapeadas. Argentina, México e Chile aparecem em seguida.
- O Radar Agtech levantou pela primeira vez as cadeias produtivas com as quais as startups do agro (agtechs) da América Latina e Caribe atuam.
- O levantamento permite conhecer o contexto e contribui para o fomento do ecossistema de inovação na região.
- Soluções digitais para dentro da porteira são os principais produtos ofertados pelas agtechs.
- O Radar Agtech LAC será lançado em 23 de junho e estará disponível em português, espanhol e inglês.
Levantamento identificou 2.656 empresas emergentes de base tecnológica do setor agropecuário em 23 países. Maior concentração está nos países do Cone Sul.
Brasília, 23 de junho de 2026 (IICA). A experiência do Radar AgTech no Brasil foi ampliada e, pela primeira vez, mapeou as startups do setor agropecuário na América Latina e Caribe. Foram identificadas 2.656 agtechs em 23 países, sendo que a maior concentração está no Cone Sul.
O levantamento foi liderado pela Embrapa, em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Homo Ludens e SP Venture. Também contou com apoio do Programa Cooperativo para Desenvolvimento Tecnológico Agroalimentar e Agroindustrial do Cone Sul (Procisur) e do instituto Tecnológico de Monterrey (México).
O mapeamento mostrou que o Brasil concentra 78% das startups mapeadas, com um total de 2.075. Argentina com 158, México com 110, Chile com 91, Colômbia com 79 e Uruguai com 74 vêm logo atrás na lista dos países com mais agtechs.
“Os dados do Radar Agtech LAC 2026 demonstram que a América Latina e o Caribe estão passando por um processo consistente de amadurecimento do ecossistema de inovação agropecuária. Embora ainda exista uma forte concentração regional, observa-se uma crescente capacidade de geração de soluções tecnológicas adaptadas às realidades produtivas locais”, observa um dos autores do levantamento, o analista da Embrapa Aurélio Favarin.
Para o coordenador de Digitalização Agro do IICA, Federico Bert, a junção da experiência da Embrapa elaborando o Radar Agtech com o alcance territorial do IICA na região foi fundamental para caracterizar o estado atual do ecossistema regional e conceber ações para fortalecê-lo.
“Compreender como o ecossistema se integra e evolui é o ponto de partida para fomentar seu crescimento e desenvolvimento, tanto no setor público quanto no privado”, afirma Bert, que destacou como ponto positivo o grande número de agtechs quando comparado ao de outras regiões do mundo.
De acordo com o levantamento, em dez dos 33 países da América Latina e Caribe, não foram encontradas agtechs. A pequena extensão territorial de alguns, a baixa população e a incipiência do setor agropecuário explicam a inexistência. Ainda assim, os autores consideram que os números podem estar subestimados, uma vez que a falta de uma instituição de referência local participando do levantamento dificultou o acesso à informação. Em alguns casos, o mapeamento foi feito por meio de bases secundárias.
“É um primeiro esforço e temos agora um marco inicial, um parâmetro para um levantamento mais amplo e fidedigno no ano que vem”, afirma Favarin.
A diferença entre os países é também um reflexo do nível de adoção de tecnologias no setor agropecuário em cada um deles.
“No IICA observamos uma heterogeneidade significativa no desenvolvimento dos ecossistemas de agrotecnologia entre os países, e muito ainda precisa ser feito para consolidar o ecossistema regional. O Radar serve como ferramenta de referência e inspiração, especialmente para os países que promovem o desenvolvimento de seus ecossistemas e, ainda mais importante, como um meio para que as partes interessadas de diferentes países se conectem e criem redes, facilitando a construção de uma estrutura que impulsione a inovação na região”, analisa Federico Bert.
Área de atuação – inovação metodológica
O Radar Agtech América Latina e Caribe trouxe uma inovação metodológica em relação às edições do Radar Agtech Brasil. Além de classificar as agtechs em relação à atuação antes, dentro ou fora da porteira, e de identificar o tipo de solução tecnológica apresentado, nesta edição as startups foram mapeadas quanto às cadeias produtivas em que atuam. No questionário era possível indicar até três cadeias.
A maior parte delas, 1.480, atuam em cadeias produtivas múltiplas. As culturas agrícolas são o alvo de 751 e a pecuária de corte, de 136. Horticultura e fruticultura são as cadeias de produção de atuação de 88 agtechs e a silvicultura de 84.
“A diversidade das cadeias presentes reforça o caráter heterogêneo da agricultura e da pecuária regionais e evidencia a capacidade das startups de desenvolver soluções adaptadas às especificidades produtivas locais”, analisa Aurélio Favarin.
O Radar Agtech LAC mostrou que as soluções digitais predominam entre as agtechs da América Latina e Caribe, com 1.404 startups. De acordo com os autores do estudo, isso evidencia o avanço da agricultura baseada em dados na região, incluindo sensores, software de gestão, drones, inteligência artificial e plataformas digitais. As tecnologias físico-químicas (403) e biológicas (374) aparecem em seguida como as soluções apresentadas pelas agtechs.
Em relação ao local de atuação, a maior parte das startups atua dentro da porteira, oferecendo soluções voltadas para eficiência operacional, gestão da produção, monitoramento e apoio à tomada de decisões.
Lançamento
O Radar Agtech LAC será lançado pela Embrapa e IICA nesta terça-feira, dia 23 de junho, durante o World Agritech South América Summit, que será realizado em São Paulo (SP).
O lançamento será seguido por um painel em que será discutido o que os dados revelam sobre a inovação e empreendedorismo no ecossistema agropecuário na América Latina e Caribe.
Participam do painel Vanessa Bello, da SP Ventures, Vitor Mondo, da Embrapa e Federico Bert, do IICA. A moderação será feita por Aurélio Favarin, da Embrapa.
A publicação será disponibilizada gratuitamente, em versões em português, inglês e espanhol, no site https://radaragtech.com.br/.
Mais informação:
Gerência de Comunicação Institucional do IICA.
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