Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura

Agricultura Seguridade alimentária e nutricional

Fortalecer os sistemas agroalimentares das Américas é essencial não só para o continente, mas para a estabilidade global, alertou o Diretor Geral do IICA na Irlanda, em um dos maiores eventos do setor agropecuário do mundo

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Participaram do debate Marcos Fava Neves, da Universidade de São Paulo; Fu Wenge, acadêmico da Universidade Agrícola da China; e Muhammad Ibrahim, Diretor Geral do IICA.

Cork, Irlanda, 22 de junho de 2026 (IICA) — Fortalecer os sistemas agroalimentares das Américas é um objetivo de interesse global, e não apenas uma prioridade do continente, afirmou o Diretor Geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Muhammad Ibrahim, em uma das maiores conferências internacionais do setor agropecuário, realizada este ano na Irlanda.

A Conferência Mundial de 2026 da Associação Internacional de Gestão de Alimentos e Agronegócios (IFAMA) aconteceu este ano durante cinco dias na University College, da cidade irlandesa de Cork.

Nela, perante cerca de 400 participantes de mais de 40 países, Ibrahim afirmou que “as Américas desempenham um papel sistêmico para o planeta”, acrescentando que, “o que acontece no continente, afeta a disponibilidade mundial de alimentos, os preços internacionais, os fluxos comerciais, as cadeias de suprimento, a produção de energia e a segurança alimentar de muitos países importadores”.

O encontro da IFAMA deste ano explorou estratégias para revitalizar os sistemas agroalimentares no atual contexto de mudanças geopolíticas, tecnologias inovadoras, variabilidade climática, volatilidade de preços, novas demandas dos consumidores e riscos de saúde alimentar.

Participaram agricultores, empresários, formadores de políticas públicas, acadêmicos, pesquisadores e estudantes, com uma agenda de trabalho colaborativa que incluiu estudos de casos e busca contribuir para fortalecer as respostas e a adaptação dos sistemas agroalimentares aos desafios, de maneira que sirvam melhor à humanidade.

Continente fundamental para a estabilidade

“O mundo ainda precisa entender plenamente que o continente americano não é só um grande produtor e exportador de alimentos, mas também um dos pilares da estabilidade global em termos alimentares, energéticos e ambientais”, afirmou Ibrahim, em uma das apresentações que mais atraiu interesse no evento.

O Diretor Geral do IICA foi um dos oradores em um debate de dois continentes sobre quais são os caminhos atuais para alcançar a resiliência, em um mundo onde a escala, a velocidade e a simultaneidade das disrupções estão tornando cada vez mais complexa a tarefa de garantir alimentos saudáveis e acessíveis para todos.

Também participaram Marcos Fava Neves, da Universidade de São Paulo, e Fu Wenge, acadêmico da Universidade Agrícola da China.

Durante a discussão, foi colocado em primeiro plano que a América Latina e o Caribe representam a maior região exportadora líquida de alimentos do mundo. Ela representa cerca de 23% das exportações agroalimentares mundiais e quase 13% do valor líquido mundial da produção agrícola e pesqueira. A região também é líder mundial em mercados estratégicos como soja, milho, carne bovina e aviária, café, açúcar, frutas, pesca, produtos florestais e biocombustíveis.

Ibrahim afirmou que a região também pode proporcionar bioenergia, bioinsumos, biomateriais, serviços ecossistêmicos, soluções de carbono e novos produtos derivados da biomassa e da biodiversidade, se os ativos se transformarem em valor sustentável mediante a ciência, a tecnologia, a inovação, o investimento e o uso responsável dos recursos naturais.

Nesse sentido, o Diretor Geral do IICA alertou que o principal risco não é que o continente deixe de produzir, mas que não se transforme com a rapidez suficiente para se adaptar ao novo contexto global.

“A região — afirmou — não poderá manter seu papel essencial no futuro meramente expandindo as terras agrícolas ou aumentando o uso de insumos. Ela precisa gerar mais valor por hectare, por trabalhador, por unidade de água, por unidade de fertilizante e por unidade de energia, para reduzir a pressão sobre as florestas, os solos, a água e a biodiversidade”.

Nesse cenário, colocou em primeiro plano o papel da ciência e das novas tecnologias: “Para as Américas, a inovação é a ponte entre o potencial natural e a liderança global. É o que pode possibilitar que a região passe de produzir mais para produzir melhor; de exportar matérias-primas a gerar mais valor; e de dispor de casos de sucesso isolados a realizar uma transformação mais produtiva, sustentável, resiliente e inclusiva da agricultura e dos sistemas agroalimentares”.

Com exemplos concretos, Ibrahim explicou em detalhes o trabalho do IICA com os países das Américas, que não foca apenas na promoção de tecnologias específicas, mas também no desenvolvimento de capacidades, instituições, estruturas regulatórias, parcerias e mercados que permitam o uso seguro e eficaz da ciência, da tecnologia e da inovação.

“Nas Américas já foi demonstrado — concluiu — que a ciência não só melhora as tecnologias, mas também pode transformar as trajetórias produtivas. O desafio agora é passar de experiências bem-sucedidas a uma transformação sistêmica, o que requer investimento a longo prazo, sistemas de pesquisa e inovação mais sólidos, melhores regulamentações, infraestrutura digital, financiamento, extensão, participação do setor privado, confiança do consumidor e maior cooperação regional”.

Mais informação:
Gerência de Comunicação Institucional do IICA.
comunicacion.institucional@iica.int

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