Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura

Biocombustíveis

Com apoio do IICA, Panamá debate a incorporação do etanol à matriz de combustíveis e abre oportunidades para o seu setor agroindustrial

Tiempo de lectura: 3 mins.
No Panamá, Agustín Torroba, especialista internacional em biocombustíveis do IICA, destacou o potencial do etanol para fortalecer a agroindústria e gerar empregos.

Cidade do Panamá, 23 de janeiro de 2026 (IICA) — Panamá, com apoio do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), debate a incorporação do etanol na gasolina utilizada pelos veículos como parte de uma estratégia para descarbonizar o transporte terrestre, desenvolver seu setor agroindustrial e gerar emprego nas zonas rurais.

O IICA está prestando apoio de natureza técnica na discussão da iniciativa, com a premissa de que o etanol e outros biocombustíveis líquidoscombustíveis elaborados com base biológica — representam uma enorme oportunidade para Panamá e para os outros países das Américas, devido à grande disponibilidade de biomassa tanto no istmo como na região. 

O Governo panamenho, por meio da Secretaria Nacional de Energia (SNE), do Ministério do Desenvolvimento Agropecuário (MIDA) e do Ministério de Comércio e Indústrias (MICI), juntamente com atores envolvidos com a agroindústria (AZUCALPA) e as empresas de combustível, apresentou ao poder legislativo um projeto de reforma da lei que propõe, em uma primeira etapa, um corte obrigatório da gasolina de origem fóssil com 10% de etanol

Esse combustível é elaborado com cana-de-açúcar e outras matérias-primas de origem vegetal. A iniciativa já está em debate na Assembleia Nacional do Panamá.

“O etanol é um combustível de origem biológica utilizado em escala global. Mais de 60 países já o incorporaram em sua matriz energética, em geral com misturas de 10%, como se propõe no Panamá. Hoje estamos muito seguros de que funciona perfeitamente em todos os motores, melhorando a combustão dos automóveis”, afirmou o especialista internacional em Biocombustíveis do IICA, Agustín Torroba.

O funcionário do IICA realizou uma visita de trabalho ao Panamá, na qual participou de um foro de debate realizado na própria Assembleia, e que foi organizado pela Comissão de Comércio e Assuntos Econômicos. Além disso, reuniu-se com representantes do setor produtivo e industrial.

“No Panamá, o etanol terá efeitos muito positivos na agroindústria, sobretudo na cadeia de cana-de-açúcar. Estimamos, com base nas projeções de crescimento fornecidas pelo governo, que podem ser criados 30.000 postos de trabalho, tanto diretos como indiretos”, acrescentou Torroba.

Rita Samaniego, Assessora da Destilería La Victoria; Patrocinio Saldaña, produtor independente de cana; Gaspar Ortíz, Diretor Nacional de Agronegócios do MIDA; e Miguel Arvelo, Representante do IICA no Panamá, durante o diálogo organizado pelo Sindicato dos Industriais do Panamá e a AZUCALPA.

Ferramenta para a transição energética

Com um crescimento da produção global de 50% na última década, os biocombustíveis líquidos continuam se consolidando como uma ferramenta fundamental para a transição energética.

De acordo com a edição 2024-2025 do Atlas dos biocombustíveis líquidos, relatório completo produzido pelo IICA com os principais dados do setor, dois países das Américas — Estados Unidos e Brasil — são os principais produtores do mundo, com 42% e 20% do total. Além disso, o continente americano produz 87% do etanol no âmbito mundial e possui 11 países que o consomem misturado com gasolinas.

Entre os diversos tipos de biocombustíveis líquidos o etanol é o de maior produção global (65% do total), com um uso crescente do milho como matéria-prima, além da cana-de-açúcar.

O IICA também participou de uma discussão organizada pelo Sindicato dos Industriais do Panamá (SIP) e a Associação Industrial de Cana-de-Açúcar do Panamá (AZUCALPA), em que diversos atores concordaram que falta estabelecer uma estrutura regulatória adequada para que o país possa aproveitar as oportunidades oferecidas pela produção e consumo de etanol, em termos de geração de emprego, fortalecimento da economia e promoção do desenvolvimento para o país.

Rodrigo Cardenal e Cristina Thayer, da AZUCALPA, destacaram a importância do projeto, ressaltando a relevância do apoio técnico do IICA tanto para a Secretaria Nacional de Energia como para os produtores independentes, não só na etapa inicial, mas no longo prazo.

O Secretário de Energia, Rodrigo Rodríguez, detalhou os benefícios econômicos e os investimentos que deveriam ser feitos para assegurar a disponibilidade de etanol, e observou que o dinheiro atualmente destinado à importação de gasolina permaneceria na economia panamenha.

Do setor produtivo, o porta-voz dos produtores independentes de cana, Patrocinio Saldaña, considerou que, se o projeto avançar, os produtores poderiam aumentar suas áreas de cultivo entre 100% e 400%, incorporando novos atores.

“Os biocombustíveis estão se consolidando como uma ferramenta fundamental, e o Panamá tem grandes vantagens comparativas para desenvolvê-los. A Representação do IICA no país trabalha com os setores público e privado do Panamá para apoiar tecnicamente esse desenvolvimento e maximizar as oportunidades de modo que se traduzam em mais empregos e prosperidade”, disse Miguel Arvelo, Representante do IICA no Panamá.

O IICA lidera e exerce a Secretaria Técnica da Coalizão Pan-Americana para Biocombustíveis Líquidos (CPBIO), criada em 2023 e composta pelas principais associações empresariais e industriais das Américas dedicadas à produção e ao processamento de açúcar, álcool, milho, sorgo, soja, óleo vegetal e grãos, entre outros produtos do setor agropecuário.

Miguel Arvelo, Representante do IICA no Panamá; Gaspar Ortíz, Diretor Nacional de Agronegócios do MIDA; e Agustín Torroba, especialista internacional em biocombustíveis do Instituto.

Mais informação:
Gerência de Comunicação Institucional do IICA.
comunicacion.institucional@iica.int

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