São Paulo, 30 de junho de 2026 (IICA). Fechar as brechas de produtividade e aumentar o rendimento de cultivos críticos liberaria o potencial da agricultura das Américas para desempenhar um papel decisivo no desenvolvimento de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e na descarbonização do transporte aéreo internacional.
Com esta ideia, o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e a Coalizão Panamericana de Biocombustíveis Líquidos (CPBIO) participaram da Argus Biofuels & Feedstocks Latin America Conference 2026, um dos principais encontros da região sobre biocombustíveis, matérias primas renováveis e transição energética, realizado este ano em São Paulo, Brasil.
Agustín Torroba, especialista internacional em Biocombustíveis e Energia Renováveis do IICA e Secretário Executivo da CPBIO, participou nos dois painéis junto com representantes da indústria, organismos internacionais, empresas e especialistas da indústria, em que foram analisados os desafios e oportunidades para escalar a produção de combustíveis sustentáveis de aviação.
Torroba destacou que a agricultura deve ser considerada um recurso ambiental para a descarbonização e não um obstáculo para a transição energética.
“Fechar as brechas de produtividade agrícola é uma das vias mais concretas para tornar o SAF uma realidade. Somente melhorando rendimentos nos seis principais cultivos utilizados para biocombustíveis (milho, cana-de-açúcar, trigo, soja, palma e canola) se poderia alcançar o potencial de mais de 512 milhões de metros cúbicos de combustíveis sustentáveis para aviação, superiores aos 449 milhões de metros cúbicos que o IATA estima serem necessários até 2050 para atingir o objetivo de emissões netas zero. Isso permitiria ampliar a oferta de matérias primas sem avançar sobre nossos hectares, convertendo a agricultura em um verdadeiro recurso ambiental para a descarbonização da aviação”, assegurou.
Os painéis também abordaram a necessidade de avançar com uma visão pragmática para o desenvolvimento dos SAF, baseada em matérias primas sustentáveis, abundantes e acessíveis. Neste sentido, se destacou o potencial das cadeias agroindustriais já consolidadas na região, ligadas ao milho, a cana-de-açúcar, os óleos vegetais, as gorduras e o álcool.
Também foi enfatizado o papel das rotas tecnológicas HEFA e ATJ, atualmente entre as mais avançadas para a produção de SAF, ao permitir integrar cadeias de óleos, gorduras e álcool das Américas aos novos mercados de combustíveis renováveis para a aviação.
Para o IICA e a CPBIO, as Américas contam com vantagens estruturais únicas para contribuir para a transição energética global. A disponibilidade de recursos naturais, a experiência acumulada em biocombustíveis líquidos, a capacidade industrial instalada e o conhecimento técnico desenvolvido durante décadas posicionam a região como um ator estratégico para o desenvolvimento da aviação sustentável.
Porém, para transformar esse potencial em investimentos concretos será necessário avançar com regras claras, metodologias comparáveis para medir a pegada de carbono e sinais econômicos que permitam acelerar o avanço comercial dos SAF em uma escala global.
Durante o evento também participaram representantes de organizações que integram a CPBIO, entre elas ALUR do Uruguai e BIOCAP do Paraguai, que compartilharam experiências no desenvolvimento de matérias primas sustentáveis, certificações, competitividade e integração regional das cadeias de valor dos biocombustíveis.
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