Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura

Biocombustíveis

Fechar as brechas de produtividade e aumentar o rendimento é essencial para liberar o potencial do agro nas Américas e desempenhar um papel de destaque no desenvolvimento dos combustíveis sustentáveis de aviação

Tiempo de lectura: 3 mins.
Agustín Torroba (centro), especialista internacional em Biocombustíveis e Energias Renováveis do IICA e Secretário Executivo da CPBIO, participou do painel “Feedstock Edge – Unlocking Ethanol, UCO & Vegetable Oils for Global SAF”, onde representantes da indústria, organismos internacionais e empresas analisaram as oportunidades e desafios para escalar a produção de SAF a partir de matérias primas renováveis.

São Paulo, 30 de junho de 2026 (IICA). Fechar as brechas de produtividade e aumentar o rendimento de cultivos críticos liberaria o potencial da agricultura das Américas para desempenhar um papel decisivo no desenvolvimento de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e na descarbonização do transporte aéreo internacional.

Com esta ideia, o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e a Coalizão Panamericana de Biocombustíveis Líquidos (CPBIO) participaram da Argus Biofuels & Feedstocks Latin America Conference 2026, um dos principais encontros da região sobre biocombustíveis, matérias primas renováveis e transição energética, realizado este ano em São Paulo, Brasil.

Agustín Torroba, especialista internacional em Biocombustíveis e Energia Renováveis do IICA e Secretário Executivo da CPBIO, participou nos dois painéis junto com representantes da indústria, organismos internacionais, empresas e especialistas da indústria, em que foram analisados os desafios e oportunidades para escalar a produção de combustíveis sustentáveis de aviação.

Torroba destacou que a agricultura deve ser considerada um recurso ambiental para a descarbonização e não um obstáculo para a transição energética.

“Fechar as brechas de produtividade agrícola é uma das vias mais concretas para tornar o SAF uma realidade. Somente melhorando rendimentos nos seis principais cultivos utilizados para biocombustíveis (milho, cana-de-açúcar, trigo, soja, palma e canola) se poderia alcançar o potencial de mais de 512 milhões de metros cúbicos de combustíveis sustentáveis para aviação, superiores aos 449 milhões de metros cúbicos que o IATA estima serem necessários até 2050 para atingir o objetivo de emissões netas zero. Isso permitiria ampliar a oferta de matérias primas sem avançar sobre nossos hectares, convertendo a agricultura em um verdadeiro recurso ambiental para a descarbonização da aviação”, assegurou.

Agustín Torroba, especialista internacional em Biocombustíveis e Energias Renováveis do IICA e Secretário Executivo da CPBIO, durante sua apresentação na Argus Biofuels & Feedstocks Latin America Conference 2026, realizada em São Paulo, Brasil.

Os painéis também abordaram a necessidade de avançar com uma visão pragmática para o desenvolvimento dos SAF, baseada em matérias primas sustentáveis, abundantes e acessíveis. Neste sentido, se destacou o potencial das cadeias agroindustriais já consolidadas na região, ligadas ao milho, a cana-de-açúcar, os óleos vegetais, as gorduras e o álcool.

Também foi enfatizado o papel das rotas tecnológicas HEFA e ATJ, atualmente entre as mais avançadas para a produção de SAF, ao permitir integrar cadeias de óleos, gorduras e álcool das Américas aos novos mercados de combustíveis renováveis para a aviação.

Para o IICA e a CPBIO, as Américas contam com vantagens estruturais únicas para contribuir para a transição energética global. A disponibilidade de recursos naturais, a experiência acumulada em biocombustíveis líquidos, a capacidade industrial instalada e o conhecimento técnico desenvolvido durante décadas posicionam a região como um ator estratégico para o desenvolvimento da aviação sustentável.

Porém, para transformar esse potencial em investimentos concretos será necessário avançar com regras claras, metodologias comparáveis para medir a pegada de carbono e sinais econômicos que permitam acelerar o avanço comercial dos SAF em uma escala global.

Durante o evento também participaram representantes de organizações que integram a CPBIO, entre elas ALUR do Uruguai e BIOCAP do Paraguai, que compartilharam experiências no desenvolvimento de matérias primas sustentáveis, certificações, competitividade e integração regional das cadeias de valor dos biocombustíveis.

Mais informação:
Gerência de Comunicação Institucional do IICA.
comunicacion.institucional@iica.int

Compartilhar

Notícias relacionadas

Santa Cruz de la Sierra, Bolivia

julho 13, 2026

Reunidos na Bolívia, os ministros do Conselho Agropecuário do Sul (CAS) rejeitam regulações unilaterais não baseadas na ciência que constituem restrições encobertas ao comércio de alimentos 

Na declaração do CAS foi sinalizada a importância de continuar fortalecendo a relação estratégica entre a UE e os países da América do Sul para ampliar o diálogo técnico e político que permita conciliar os objetivos ambientais com um sistema de comércio internacional aberto, previsível e baseado em regras.

Tiempo de lectura: 3mins

Santiago do Chile

julho 10, 2026

Avança a transição para uma produção de arroz sustentável na América Latina e no Caribe, e um projeto do IICA e parceiros mostra seu potencial para gerar benefícios

A iniciativa “Transição para uma produção de arroz sustentável na América Latina” se baseia na inovação tecnológica e foca na realidade, nos conhecimentos e nas práticas dos agricultores que possibilitam que o arroz seja um dos alimentos mais consumidos nas mesas dos países da região.

Tiempo de lectura: 3mins

São José

julho 7, 2026

Na última década, as Américas se consolidaram como o maior produtor mundial de biocombustíveis líquidos, revela novo relatório do IICA

A liderança global das Américas em biocombustíveis é impulsionada pelos Estados Unidos e Brasil, que, em 2025, concentraram 95,8% da produção regional de bioetanol e mais de 85% de biodiesel, afirma o documento, que revisa a situação atual, evolução e perspectivas do setor.

Tiempo de lectura: 3mins