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Dorienne Rowan Campbell, produtora de café da Jamaica que ensina e mostra o caminho a outros pequenos agricultores caribenhos, é reconhecida pelo IICA como Líder da Ruralidade das Américas

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A fazenda de Campbell está na zona das Montanhas Azuis da Jamaica, onde é produzido um dos café mais procurados do mundo.

São José, 24 de março de 2025 (IICA) – Dorienne Rowan Campbell, mulher jamaicana que se dedica há décadas à agricultura, dona de uma pequena fazenda produtora de café orgânico de máxima qualidade que se converteu em um modelo de práticas sustentáveis e permanente professora de outros pequenos produtores caribenhos, foi distinguida como uma das Líderes da Ruralidade das Américas pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). 

Rowan Campbell receberá como reconhecimento o prêmio “Alma da Ruralidade”, parte de uma iniciativa do organismo especializado em desenvolvimento agropecuário e rural para dar visibilidade a homens e mulheres que deixam pegadas e fazem a diferença no campo do continente americano, essencial para a segurança alimentar e nutricional e a sustentabilidade ambiental do planeta.
 “O meu trabalho é ser a voz dos pequenos agricultores e ajudar a fazer mudanças que os fortaleçam e lhes permitam ter acesso a um bom nível de vida”, assegura.

Rowan Campbell foi uma das fundadoras em 2001 do Movimento de Agricultura Orgânica da Jamaica (JOAM, em inglês), e durante vários anos foi presidente de uma organização que tornava essa atividade economicamente viável, formando o caminho para a certificação, treinando inspetores e estabelecendo fazendas de demonstração.

Com o JOAM, Roam Campbell e seus colegas formaram umas 150 mulheres no Caribe interessadas na agricultura orgânica.  Como reconhecimento da sua contribuição para a produção de alimentos e aos direitos das mulheres, Rowan Campbell foi condecorada pelo Governo da Jamaica. Também foi laureada pela União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN) como mulher empreendedora ambiental. 

Sua fazenda, chamada Rowan’s Royale Farm, está na zona das Montanhas Azuis da Jamaica, onde é produzido um dos café mais procurados do mundo.  Desde 2004, a fazenda foi inspecionada e obteve a Certificação de Padrões Ambientais (CERES), documento internacional entregue às pessoas que realizam práticas sustentáveis. 

Ela mesmo, quando ainda se falava pouco internacionalmente da influência da variabilidade climática nos cultivos, percebeu os impactos na sua fazenda e soube que devia se esforçar para cuidar da biodiversidade por meio de soluções baseadas na natureza. Hoje, é inspetora de um sistema de certificação e treina outros agricultores da Jamaica, com o propósito duplo de produzir café de qualidade e cuidar o meio-ambiente.

A designação Líderes da Ruralidade das Américas é um reconhecimento para aquelas pessoas que realizam um papel duplo insubstituível: ser fiadores da segurança alimentar e nutricional e ao mesmo tempo guardiões da biodiversidade do planeta por meio da produção em qualquer circunstância. O reconhecimento, além do mais, tem a função de destacar a capacidade de impulsionar exemplos positivos para as zonas rurais da região.

Rowan Campbell foi laureada pela União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN) como mulher empreendedora ambiental.

Guerreiras ecológicas

Dorienne também tem nacionalidade canadense, porém assegura que seu coração é jamaicano. “Aprendi o trabalho e o uso da minha fazenda como lugar de treinamento para outros pequenos agricultores porque, se você não tem um modelo que as pessoas possam ver, é muito difícil quebrar os velhos hábitos enraizados”, ela Rowan Campbell, que realiza um papel de direção na Associação de Produtores de Café da Jamaica. 

Rowan Campbell conduz um grupo de umas 15 mulheres que ela chama de “guerreiras ecológicas” (eco warriors), que ela treina em questões agrícolas e econômicas e que se comprometem a disseminar seus conhecimentos nas suas comunidades, principalmente com os jovens. 

“Cresci na Jamaica”, conta, “onde fui a uma escola com muitos espaços verdes onde se criavam galinhas que as crianças cuidavam. Acredito que o meu interesse no campo começou lá, porém o meu pai também amava a agricultura. Ele foi advogado e juiz, mas tinha uma pequena fazenda que era sua alma.  Comecei a trabalhar a terra lá, e um dia ele me disse que eu tinha é que transformei em uma fazenda de verdade.  Foi a coisa mais linda que eu tinha ouvido”.

“Fui à universidade no Canadá, onde estudei inglês e história.  Logo trabalhei oito anos na Secretaria do Commonwealth em Londres, onde comecei no Programa de Mulheres e Desenvolvimento e logo trabalhei para os 52 países desse grupo.  Mas sempre estive convencida de que a fonte da minha força eram minhas raízes jamaicanas.  Então eu voltei e hoje, porém passe parte do tempo no Canadá, o meu país é a Jamaica”.

Na sua volta ao Caribe, Dorienne queria fazer agricultura em harmonia com a natureza: uma atividade de produção que ao mesmo tempo cuidasse do meio-ambiente. “Lembro que falava que tinha um rio debaixo da minha fazenda e que qualquer coisa que eu colocasse no solo terminaria nesse rio. Por isso decidi não usar sustâncias químicas e muita gente achou que eu estava louca”.

Assim, se interessou pela agricultura orgânica há mais de 30 anos, começou a estudar e demorou muito tempo para construir alianças com outros agricultores com as mesas preocupações. Assim, hoje não só oferece workshops de formação, mas também é inspetora de fazendas que querem ser certificadas.   A fazenda em que ela cultiva tem uns cinco hectares e meio, mas grande parte dela é penhascosa, então tem somente árvores e arbustos. Dedica um pouco mais de dois hectares à produção, em que além de café cultiva cúrcuma e gengibre. 

Desde sempre, a principal preocupação de Dorienne foi conseguir na comunidade um lugar para os agricultores familiares mais apto segundo sua contribuição essencial. 

“Estou convencida de que os pequenos agricultores não recebem o respeito que merecem”, assegura. “Muita gente na Jamaica relaciona a agricultura com a escravidão, porque era a atividade que todos realizavam quando eram escravos. Então, muitos acreditam que só é válido ser médico ou advogado. Eu luto contra isso e tento envolver aos jovens na agricultura, que estão muito interessados nas novas tecnologias e o papel que elas podem ter na produção.  Isso é fundamental. Se deve entender que, se não conseguimos que os jovens da Jamaica participem na agricultura, vamos terminar não só sem a indústria do café, mas também sem alimentos”.

Campbell se esforça por envolver aos jovens da Jamaica para que participem na agricultura. 

Mais informação:
Gerência de Comunicação Institucional do IICA.
comunicacion.institucional@iica.int

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