Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura

Agricultura

Elevar a produtividade, essencial para construir sistemas agroalimentares mais resilientes na América Latina e no Caribe

Tiempo de lectura: 3 mins.
O relatório propõe, como mensagem central, que a agricultura pode fortalecer sua contribuição para os sistemas agroalimentares mediante melhorias na produtividade, promovidas por um financiamento adequado e por inovações políticas, institucionais, financeiras e tecnológicas.

São José, 3 de junho de 2026 (IICA). Ministros da agricultura da região e as maiores autoridades da CEPAL, FAO, IICA e CAF participaram do lançamento do relatório Perspectivas da agricultura e do desenvolvimento rural nas Américas: um olhar para a América Latina e o Caribe 2025-2026, que propõe que a agricultura pode fortalecer sua contribuição para os sistemas agroalimentares mediante melhorias na produtividade, promovidas por um financiamento adequado e por inovações políticas, institucionais, financeiras e tecnológicas.

O novo relatório, elaborado em conjunto pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o CAF–Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe, foi apresentado em um evento virtual do qual participou José Antonio López Leonardo, Vice-Ministro do Desenvolvimento Econômico Rural da Guatemala; bem como Muhammad Ibrahim, Diretor Geral do IICA; José Manuel Salazar-Xirinachs, Secretário Executivo da CEPAL; Rene Orellana Halkyer, Diretor Geral Adjunto e Representante Regional para ALC da FAO; e Maximiliano Alonso, Assessor Sênior da Vice-Presidência Corporativa de Programação Estratégica do CAF e outras autoridades e especialistas do setor agropecuário regional.

No evento, o Vice-Ministro López destacou a adoção da Política Setorial Agropecuária 2026–2032 da Guatemala, destinada a fortalecer de maneira sustentável e equitativa o desenvolvimento rural, dando relevância à articulação entre diversas instituições do setor e as ações para melhorar o acesso a recursos produtivos, fortalecer a sanidade agropecuária e apoiar a tomada de decisões mediante mesas agroclimáticas. “Ela tem como objetivo aumentar de maneira equitativa e sustentável a contribuição do setor para o desenvolvimento econômico nacional, ampliando as oportunidades produtivas e alimentares para as famílias rurais”, indicou a esse respeito.

“Devemos elevar a produtividade como objetivo central da política, tanto para o crescimento econômico como para uma maior mobilidade e equidade social. As inovações tecnológicas, científicas e institucionais possuem um caráter de bem público e requerem investimento estatal sustentado e políticas de acesso equitativo. Aumentar a produtividade da agricultura familiar melhora simultaneamente a segurança alimentar, o emprego rural e a equidade”, expressou o Diretor Geral do IICA, Muhammad Ibrahim.

“O setor agrícola pode ser um motor decisivo para sair da armadilha da baixa capacidade para crescer que afeta a América Latina e o Caribe, estreitamente associada à estagnação da produtividade. Mas isso não ocorrerá de maneira automática: requer políticas de desenvolvimento produtivo explícitas e deliberadas, com investimento, capacidades, inovação, financiamento e acesso a mercados. A produtividade não ocorre no vácuo: constrói-se nos territórios, com governança, articulação público-privada e capacidades locais. Esse é o desafio, bem como a grande oportunidade para transformar os sistemas agroalimentares da região”, afirmou José Manuel Salazar-Xirinachs, Secretário Executivo da CEPAL.

“Na FAO trabalhamos para acelerar a transformação produtiva do setor agroalimentar, por meio de tecnologias como a agricultura de precisão, a biotecnologia, a inteligência artificial e outras soluções adaptadas às realidades locais, bem como a eliminação de hiatos em infraestrutura estratégica. Para isso é necessário fortalecer a articulação entre o sistema bancário comercial, o banco de desenvolvimento e os organismos multilaterais para ampliar o acesso a instrumentos financeiros adequados e inovadores para os produtores. Nessa linha, a iniciativa Hand in Hand da FAO mobilizou US$1,75 bilhão na região para acelerar o desenvolvimento agrícola e rural nos territórios mais atrasados”, afirmou Rene Orellana Halkyer, Diretor Geral Adjunto e Representante Regional para a América Latina e o Caribe da FAO.

“Elevar a produtividade é essencial para construir sistemas agroalimentares mais resilientes na América Latina e no Caribe. Para isso, precisamos de uma abordagem integral que combine inovações tecnológicas, financiamento adequado, políticas públicas articuladas e um forte compromisso com a equidade social. Sem produtividade não há sustentabilidade, e sem sustentabilidade não haverá produtividade duradoura”, disse Maximiliano Alonso, Assessor Sênior da Vice-Presidência Corporativa de Programação Estratégica do CAF.

Prioridade estratégica para a região

O estudo alerta que elevar a produtividade agropecuária é hoje uma prioridade estratégica para a região, pois dela depende não só a capacidade de produzir mais alimentos, a um custo menor e de forma acessível, mas também de responder à demanda crescente por alimentos saudáveis, nutritivos, seguros e produzidos de maneira sustentável, garantindo, por sua vez, a segurança alimentar, o emprego rural, o aumento de receitas para os produtores e a resiliência dos sistemas agroalimentares perante os choques ambientais e econômicos.

Enfatizando que, embora a América Latina e o Caribe tenham demonstrado, por décadas, uma grande capacidade produtiva em diversas áreas, os avanços foram desiguais e a região atualmente enfrenta um triplo desafio: produzir mais, fazer isso de maneira sustentável e garantir a inclusão social.

A publicação destaca que na última década a produtividade total dos fatores (PTF) na região aumentou apenas 5%, equivalente a 0,9% anual, promovida por avanços tecnológicos como o desenvolvimento e a adoção de sementes melhoradas, a biotecnologia, a mecanização, a agricultura de precisão, novos sistemas de irrigação ou práticas produtivas mais sustentáveis. Ao mesmo tempo, indica que cerca de 75% do crescimento da produção veio do maior uso de insumos e apenas 25%, de melhorias em eficiência, o que reflete uma crescente dependência de fertilizantes e agroquímicos.

Identificam-se seis grandes gargalos que explicam a estagnação da produtividade agropecuária: a heterogeneidade estrutural, hiatos tecnológicos, governança frágil, desigualdades territoriais e digitais, limitações de talento humano e restrições de financiamento.

Nessa linha, o documento informa que cerca de 16 milhões de pequenas propriedades, mais de 80% do total regional, enfrentam severas limitações de acesso a terras, tecnologias, financiamentos e mercados; somente 15% dos pequenos produtores têm acesso a crédito formal; e apenas 39% dos lares rurais têm acesso à Internet.

Também argumenta que elevar a produtividade agrícola é fundamental para reduzir o custo de uma dieta saudável na região, atualmente o mais alto do mundo. Em 2024, o custo médio regional foi estimado em US$5,16 de Paridade de Poder Aquisitivo (PPA) por pessoa por dia, acima da média mundial de US$4,46. Como resultado, cerca de 28% da população regional não consegue arcar com os custos de uma dieta saudável, número que sobe para 50% no Caribe.

Abordagem integral e multidimensional

Perante esse panorama, o documento da CEPAL, FAO, IICA e CAF propõe avançar para uma nova abordagem de produtividade mais integral e multidimensional, que combine eficiência econômica com sustentabilidade ambiental e inclusão social.

É proposta uma nova geração de políticas públicas visando fortalecer a pesquisa agropecuária, ampliar o acesso ao financiamento, modernizar a assistência técnica e a extensão rural, motivar a transformação digital e promover sistemas produtivos mais sustentáveis e diversificados.

Explica que o futuro do crescimento agrícola dependerá cada vez mais da eficiência e da inovação, pois, entre 2023 e 2032, 79% do aumento mundial na produção de cultivos virá de melhorias em produtividade e apenas 15% da expansão de terras agrícolas.

A publicação enfatiza que superar o estagnação da produtividade agropecuária requer remover barreiras estruturais, fortalecer a cooperação regional e construir políticas articuladas capazes de conectar inovação, financiamento, conhecimento e sustentabilidade, assim propondo oito linhas de ação.

Essas são: políticas habilitantes como base estrutural da transformação produtiva; o financiamento como ecossistema que mobiliza todos os recursos necessários para a inovação e a sustentabilidade; uma assistência técnica e extensão rural que fortaleçam as capacidades para a produtividade; tecnologia e inovação digital que conduzam a uma agricultura inteligente e inclusiva; uso eficiente e inteligente de insumos e recursos naturais; sistemas produtivos sustentáveis e diversificados; comércio e integração regional como motores da produtividade e da inovação; e agregação de valor na origem para reter e multiplicar o valor nos territórios.

A conclusão do evento foi realizada por Héctor Huergo, engenheiro agrônomo e jornalista de destaque, atual Diretor do Clarín Rural da Argentina, que fez um apelo às entidades criadoras do documento, para “ir além de suas próprias fronteiras e colaborar para que essa nova narrativa sobre o papel da agricultura das Américas chegue ao concerto internacional”.

“O documento levanta os problemas, a baixa produtividade relativa, mas na média de uma situação muito heterogênea, na qual temos os níveis de produtividade mais altos do planeta, com outros que ainda estão um pouco atolados no barro da impotência de problemas estruturais que não conseguimos resolver, e essa é uma tarefa que, felizmente, é colocada em discussão nesse relatório. É uma convocação aos governos para atuar na direção correta de modo a diminuir esse hiato que há entre os que avançam rapidamente e os que ainda estão atolados no atraso e na falta de progresso em geral”, concluiu.

Mais informação:
Relatório completo: Perspectivas de la agricultura y del desarrollo rural en las Américas: Una mirada hacia América Latina y el Caribe 2025-2026
 
Joaquín Arias, responsável pelo Observatório de Políticas Públicas para os Sistemas Agroalimentares do IICA.
joaquin.arias@iica.int
 
Unidade de Informação Pública da CEPAL em Santiago do Chile.
prensa@cepal.org
Telefone: +562 2210 2040
 
María Elena Álvarez Inostroza, Oficial de Imprensa e Conteúdo, Unidade Regional de Comunicações do Escritório Regional da FAO para a ALC.
Maria.Alvarez@fao.org
 
Habbid Rivero, Consultor em Comunicações, Direção de Assessoramento Técnico em Biodiversidade e Clima do CAF.
HABBID.RIVERO_EXTERNO@CAF.COM

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