Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura

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Projeto trinacional Raízes, apoiado pelo IICA, promove a agrobiodiversidade e a conservação de sementes para a agricultura de pequena escala na Argentina

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Participantes das atividades de lançamento do projeto Raízes em Jujuy. Comunidade de Casti, Yavi, Jujuy.

Províncias de Jujuy e Misiones, Argentina, 28 de abril de 2026 (IICA) — Uma iniciativa que promove a integração entre pesquisa científica, práticas agroecológicas e saberes populares, elaborada em parceria por diversos organismos internacionais, foi lançada nas províncias argentinas de Misiones e Jujuy.

“Melhoria participativa dos recursos genéticos e sistemas de sementes para a agricultura regenerativaRaízes” é o título desse projeto trinacional (também focado no Brasil e na Bolívia), financiado por recursos suplementares do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) provenientes da União Europeia e executado pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) em associação com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), como líder técnica no âmbito trinacional.

A iniciativa prevê alcançar cerca de 1.200 produtores nas províncias argentinas, com ênfase na participação de mulheres, jovens e povos originários. Trata-se de uma resposta coletiva perante a urgência de transformar os sistemas alimentares para que sejam mais justos, sustentáveis e resilientes

O objetivo é fortalecer famílias camponesas da Argentina, Brasil e Bolívia que enfrentam barreiras para a produção de alimentos, como a falta de acesso a variedades de sementes e bioinsumos adequados, apoio técnico limitado, graças a um nível de investimento insuficiente e exclusão dos processos de geração de conhecimento.

Nesse âmbito, promove-se a melhoria genética participativa (MGP) e o fitomelhoramento evolutivo (EPB), a conservação da agrobiodiversidade e o intercâmbio de conhecimentos, tanto tradicionais como científicos, entre países da América do Sul. No caso argentino, o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) é o organismo responsável pela implementação técnica. A iniciativa faz parte do Programa Global para Pequenos Produtores Agrícolas e a Transformação Sustentável dos Sistemas Alimentares (GP-SAEP).

No âmbito do lançamento, destacou-se a importância da articulação entre técnicos e produtores, que favorece a criação e consolidação de bancos comunitários de sementes, o apoio a guardiões e guardiãs que preservam variedades crioulas, bem como o uso de ferramentas e metodologias adequadas para a agricultura de pequena escala.

Doina Popusoi, oficial técnica do FIDA para Raízes e GP-SAEP na América Latina, afirmou que “o projeto permite planejar e decidir, juntamente com os agricultores, o que é mais adequado para cada sistema local. Busca-se que as variedades cultivadas possam ser resilientes às condições climáticas locais e que contribuam para o acesso a dietas mais saudáveis”.

Em Jujuy, o trabalho focará em batata, milho, quinoa, favas e feijões. Em Misiones, as ações serão executadas em torno do milho, batata, feijão, melancia e abóbora, priorizando sementes crioulas e nativas próprias dos sistemas produtivos diversificados da região.
 
Segundo Luz Lardone, Diretora Nacional de Transferência e Extensão do INTA, a Argentina é “profundamente diversa, com matrizes produtivas diversas, com escalas de produtores e produtoras diversas”. Nessa linha, destacou a necessidade de políticas públicas capazes de respeitar e potencializar as particularidades locais.
 
Misiones, território de agrobiodiversidade

A província de Misiones, no extremo nordeste da Argentina, abriga uma das maiores riquezas em termos de agrobiodiversidade do país e uma elevada presença de agricultores de pequena escala que sustentam sistemas produtivos diversificados.

Um dos eixos do projeto em sua implementação em Misiones visa o fortalecimento das chamadas “casas de sementes”, que Silvina Fariza, pesquisadora do INTA Misiones e responsável técnica pela implementação do projeto na província, descreve como “espaços que os produtores dispõem em suas terras ou comunidades para a guarda de sementes e que também funcionam como estruturas de intercâmbio”.

Visita à Cooperativa CCTA — Associação Civil de Comunidades pelo Trabalho Agropecuário, onde se conheceram experiências vinculadas à produção e à gestão comunitária de sementes. Pozo Azul, Misiones, Argentina.

Misiones tem uma sólida trajetória na conservação e multiplicação de sementes por parte dos agricultores. Há décadas são realizadas feiras de sementes que promovem o intercâmbio de materiais genéticos e saberes associados. As sementes crioulas e nativas, selecionadas por sua adaptação a cada território, não só sustentam a diversidade produtiva, mas também constituem uma base fundamental de autonomia para os agricultores.

Beatriz Zemunich, produtora da localidade de Wanda, com terras de agrobiodiversidade certificadas, participa ativamente há 18 anos do Movimento de Sementes de Misiones. Ela observou que “o projeto nos ajuda a dar visibilidade ao trabalho que já fazemos e a continuar cuidando de algo que é fundamental: a semente como base da soberania alimentar e do futuro de nossas famílias”.

Jujuy, terra de diversidade produtiva

Em Jujuy, o projeto Raízes (GP-SAEP) é implementado em cinco territórios estratégicos que representam diversos ambientes e sistemas produtivos: Santa Victoria Oeste, Yavi, Humahuaca, Tumbaya Grande e a propriedade El Pongo, nos vales temperados.

Nesses territórios também são fortalecidos os processos preexistentes vinculados à conservação de sementes, o trabalho com guardiões e guardiãs e a articulação entre produção e comercialização. “Assim, o projeto nos permite dar continuidade e aprofundar processos que estão sendo desenvolvidos há tempos”, destacou María Florencia Barbarich, técnica do INTA Abra Pampa e coordenadora para a região Noroeste Argentina (NOA) de Raízes.

Na localidade de Casti, por exemplo, o projeto acompanhará uma unidade de processamento de batatas andinas liderada por cinco mulheres, uma experiência que articula a conservação da agrobiodiversidade e a agregação de valor. A iniciativa surgiu para recuperar variedades locais que estavam sendo substituídas por cultivos comerciais e hoje permite revalorizar a diversidade genética, fortalecer a identidade de origem e gerar oportunidades econômicas para as comunidades.

“A relação das mulheres com as sementes é histórica. Somos nós que selecionamos, conservamos e garantimos o alimento”, observou Celeste Carrazana, integrante do empreendimento, que também visa transmitir esses saberes às jovens gerações.

Em conjunto, a etapa inicial de implementação na Argentina demonstra o impacto territorial do projeto Raízes. Em Jujuy, as atividades desenvolvidas até o momento envolveram, de maneira direta, mais de 150 produtores. Deles, 95% se reconhecem como parte ou descendente de povos indígenas, principalmente da Grande Nação Colla. Em Misiones, as ações incluíram aproximadamente 125 produtores, dos quais 38% pertencem à comunidade Mbya Guaraní.

Além disso, como resultado dessa primeira etapa, foram realizados seminários e capacitações para produtores e produtoras dessas comunidades e técnicos do INTA sobre as duas metodologias de melhoramento e conservação de sementes, juntamente com o plantio de alguns corredores agroecológicos na província de Misiones.

Diversidade de sementes na comunidade de Tumbaya Grande, Jujuy, Argentina.

Mais informação:
Gerência de Comunicação Institucional do IICA.
comunicacion.institucional@iica.int

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