Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura

Inocuidade dos alimentos Sanidade agropecuária

América Central e México fortalecem a coordenação regional para controlar a larva da mosca-do-berne do gado e proteger a inocuidade dos alimentos

Tiempo de lectura: 3 mins.
No Encontro regional sobre o uso de medicamentos veterinários no controle da LBG e vigilância de resíduos em leite e carne, os participantes concordaram que a atual situação epidemiológica representa uma oportunidade para fortalecer a articulação entre os programas de controle da LBG, os sistemas de vigilância de resíduos, as autoridades responsáveis pelo registro de medicamentos veterinários, os laboratórios oficiais e o setor produtivo.

Cidade do México, 24 de junho de 2026 (IICA).  Representantes dos programas nacionais de controle da larva da mosca-do-berne do gado (LBG), de vigilância de resíduos em alimentos de origem animal e do setor produtivo de sete países se reuniram no México para analisar o uso de medicamentos veterinários associados ao controle dessa doença e fortalecer as ações conjuntas direcionadas à proteção da sanidade animal, da inocuidade dos alimentos e da sustentabilidade na produção pecuária da região.

O intercâmbio ocorreu no Encontro regional sobre o uso de medicamentos veterinários no controle da LBG e vigilância de resíduos em leite e carne, organizado na Cidade do México pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), a Federação Centro-Americana do Setor Lácteo (FECALAC) e a Secretaria Executiva do Conselho Agropecuário Centro-Americano (SECAC).

O evento de três dias reuniu 36 representantes de Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, México e Panamá, incluindo coordenadores dos programas de controle da LBG, responsáveis pela vigilância de resíduos, técnicos da Comissão Panamá-Estados Unidos para a Erradicação e Prevenção da Larva da Mosca-do-berne do Gado (COPEG), especialistas em sanidade e inocuidade alimentar, autoridades sanitárias e representantes do setor produtivo.

O encontro constituiu um espaço pioneiro de diálogo regional ao reunir, pela primeira vez, atores responsáveis por programas que habitualmente operam de forma independente, mas que enfrentam desafios cada vez mais inter-relacionados.

A LBG é uma praga causada por uma mosca cujas larvas afetam principalmente o gado bovino, mas também outras espécies domésticas e silvestres, bem como, inclusive, humanos. Seu ressurgimento na região aumentou o uso de medicamentos veterinários para o tratamento de miíase (infecção parasitária causada por larvas de moscas que se alimentam de tecido vivo) e cuidar de feridas em animais, gerando a necessidade de fortalecer a coordenação entre os programas de controle sanitário e os sistemas de vigilância de resíduos em leite e carne.

Os países compartilharam experiências sobre a situação epidemiológica da LBG, os tratamentos veterinários utilizados, os desafios regulatórios e as capacidades nacionais para a vigilância de resíduos em alimentos de origem animal. As discussões permitiram identificar oportunidades para fortalecer a gestão do risco, melhorar o intercâmbio de informações e promover enfoques de vigilância baseados em evidências.

Oswaldo Segura, especialista regional em competitividade agrícola da SECAC; Ramiro Pérez, representante da FECALAC; José Luis Ayala, Coordenador Técnico do IICA no México; e Octavio Hernández, Diretor Geral da AMLAC, na abertura do evento.

Um dos principais consensos alcançados foi que a prevenção continua sendo a ferramenta mais efetiva para reduzir o impacto da LBG. A detecção e atenção precoce de feridas, juntamente com a adoção de boas práticas pecuárias, foram reconhecidas como medidas fundamentais para diminuir a incidência da doença, reduzir a necessidade de tratamentos medicamentosos e contribuir para a produção de alimentos inócuos.

Além disso, os participantes concordaram que a atual situação epidemiológica representa uma oportunidade para fortalecer a articulação entre os programas de controle da LBG, os sistemas de vigilância de resíduos, as autoridades responsáveis pelo registro de medicamentos veterinários, os laboratórios oficiais e o setor produtivo.

“Para o IICA é essencial atender esse tipo de emergências sanitárias com um enfoque regional. Reunir em um mesmo espaço produtores, técnicos, pesquisadores, responsáveis por programas sanitários e autoridades permite construir soluções mais integrais e sustentáveis para enfrentar a praga e proteger a produção pecuária da região”, afirmou José Luis Ayala, Coordenador Técnico do IICA no México.

Oswaldo Segura, especialista regional em competitividade agrícola da SECAC, destacou a importância de fortalecer a coordenação regional para enfrentar desafios sanitários comuns.

“Precisamos continuar a construir mecanismos de cooperação entre países e instituições. A articulação entre agricultura, saúde, inocuidade e setor produtivo é fundamental para responder de maneira efetiva aos desafios apresentados pela larva da mosca-do-berne do gado”, observou.

No encontro, os participantes também identificaram diversas linhas de trabalho para fortalecer a resposta regional, entre elas a promoção do uso responsável de medicamentos veterinários, o desenvolvimento de um guia regional de boas práticas pecuárias, o fortalecimento dos programas de vigilância de resíduos com base no risco, a cooperação entre laboratórios, a geração de evidências técnicas e o estabelecimento de mecanismos permanentes de intercâmbio de informações.

O evento reuniu 36 representantes de Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, México e Panamá, incluindo coordenadores dos programas de controle de LBG, responsáveis pela vigilância de resíduos, técnicos da COPEG, especialistas em sanidade e inocuidade alimentar, autoridades sanitárias e representantes do setor produtivo.

Parcerias para uma resposta integral

Na Cidade do México, o setor produtivo ressaltou que a prevenção de resíduos e o controle efetivo da LBG requerem uma responsabilidade compartilhada entre produtores, organizações comerciais, indústria veterinária, estabelecimentos de comercialização de medicamentos, academia e autoridades sanitárias. Além disso, foi ressaltada a importância das parcerias público-privadas como u mecanismo para ampliar o alcance das ações de prevenção, capacitação e gestão do risco.

“O principal objetivo é ter linhas de ação conjuntas. Como setor privado, estamos comprometidos em apoiá-las, contribuir com recursos técnicos e financeiros e analisar e identificar os hiatos que temos na região em termos de poluentes e resíduos no leite e na carne, em torno do problema da LBG”, comentou Ramiro Pérez, representante da FECALAC.

“Esses espaços de intercâmbio nos permitem aprender com as experiências de outros países e fortalecer nossas ações de prevenção. O objetivo é avançar para a contenção e, posteriormente, a erradicação da praga mediante um esforço conjunto de toda a região”, expressou Octavio Hernández, Diretor Geral da Associação Mexicana de Produtores de Leite (AMLAC).

Juan Ramón González, representante da Confederação Nacional de Organizações Pecuárias (CNOG) do México, ressaltou que a cooperação regional constitui um elemento indispensável para enfrentar o avanço da doença. “Estamos enfrentando uma emergência que requer solidariedade e coordenação. Hoje os países estão unindo esforços e compartilhando experiências porque entendemos que o desafio é comum e que somente poderemos enfrentá-lo trabalhando juntos”, afirmou.

No final do encontro, os participantes concordaram que o controle sustentável da LBG e a prevenção de riscos associados a resíduos em alimentos de origem animal requerem enfoques integrados que articulem as capacidades dos serviços veterinários oficiais, dos programas de vigilância, dos laboratórios e do setor produtivo.

“A saúde animal, a inocuidade dos alimentos e a saúde pública estão estreitamente conectadas. Esse encontro demonstrou que o intercâmbio de experiências e a cooperação regional são fundamentais para fortalecer a capacidade de resposta dos países e proteger a confiança dos consumidores nos alimentos que produzimos”, concluiu Alejandra Díaz, especialista técnica em Sanidade Agropecuária, Inocuidade e Qualidade dos Alimentos do IICA.

Como parte das atividades do encontro, os participantes realizaram uma visita técnica ao Laboratório de Resíduos do Serviço Nacional de Sanidade, Inocuidade e Qualidade Agroalimentar (SENASICA) do México, com o objetivo de conhecer as capacidades analíticas disponíveis e as experiências desenvolvidas pelo país em termos de vigilância de resíduos em alimentos de origem animal.

A visita técnica ao Laboratório de Resíduos do SENASICA permitiu aos participantes conhecer capacidades analíticas, as metodologias de detecção e as experiências do México na vigilância de resíduos em alimentos de origem animal.

Mais informação:
Alejandra Díaz, especialista técnica em Sanidade Agropecuária, Inocuidade e Qualidade de Alimentos do IICA.
alejandra.diaz@iica.int

Compartilhar

Notícias relacionadas

Santa Cruz de la Sierra, Bolivia

julho 13, 2026

Reunidos na Bolívia, os ministros do Conselho Agropecuário do Sul (CAS) rejeitam regulações unilaterais não baseadas na ciência que constituem restrições encobertas ao comércio de alimentos 

Na declaração do CAS foi sinalizada a importância de continuar fortalecendo a relação estratégica entre a UE e os países da América do Sul para ampliar o diálogo técnico e político que permita conciliar os objetivos ambientais com um sistema de comércio internacional aberto, previsível e baseado em regras.

Tiempo de lectura: 3mins

Santiago do Chile

julho 10, 2026

Avança a transição para uma produção de arroz sustentável na América Latina e no Caribe, e um projeto do IICA e parceiros mostra seu potencial para gerar benefícios

A iniciativa “Transição para uma produção de arroz sustentável na América Latina” se baseia na inovação tecnológica e foca na realidade, nos conhecimentos e nas práticas dos agricultores que possibilitam que o arroz seja um dos alimentos mais consumidos nas mesas dos países da região.

Tiempo de lectura: 3mins

São José

julho 7, 2026

Na última década, as Américas se consolidaram como o maior produtor mundial de biocombustíveis líquidos, revela novo relatório do IICA

A liderança global das Américas em biocombustíveis é impulsionada pelos Estados Unidos e Brasil, que, em 2025, concentraram 95,8% da produção regional de bioetanol e mais de 85% de biodiesel, afirma o documento, que revisa a situação atual, evolução e perspectivas do setor.

Tiempo de lectura: 3mins