Tapachula, México, 28 de abril de 2026 (IICA) – A agricultura tropical, motor insubstituível da segurança alimentar do continente e do mundo, deve aprofundar o seu caminho de transformação para ser cada vez mais sustentável, inclusiva e competitiva. Foi assim que advertiram especialistas e autoridades que participaram na abertura de um evento internacional que convoca em Tapachula, estado de Chiapas, a uma multiplicidade de atores comprometidos com a construção de um plano crítico para o futuro da agricultura tropical no México e nas Américas.
O encontro, que ocorre em uma região altamente produtiva do sul do México, que pela sua proximidade geográfica também é a porta de entrada à América Central, é organizado pelo Governo do Estado de Chiapas e sua Secretaria do Campo, junto com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e o Centro Agronômico Tropical de Pesquisa e Ensino (CATIE).
Agricultores e agricultoras se reúnem em Chiapas, durante três dias de trabalho, com representantes de organismos estaduais, instituições agropecuárias, acadêmicos e organismos internacionais, para um debate que integra produtividade sustentável, resiliência climática, inovação tecnológica e mecanismos de financiamento, sob uma visão de cooperação hemisférica.
Junto com os organizadores também participam, como aliados estratégicos, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), a Aliança de Bioversity-CIAT e o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Agrícola (CARDI)
Estiveram presentes na abertura Marco Antônio Barba Arrocha, Secretário do Campo de Chiapas, em representação do Governador, Eduardo Ramirez Aguilar; e Santiago Ruy Sánchez de Orellana, Coordenador Geral de Assuntos Internacionais de Agricultura, em representação de Júlio Berdengué, Secretário de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México.
Também foram oradores o Diretor Geral do IICA, Muhammad Ibrahim; o Diretor Geral do CATIE, Luís Pocasangre; a ex-senadora do México e Embaixadora de Boa Vontade do IICA, Beatriz Paredes; o Secretário de Desenvolvimento Agropecuário, Rural e Pesca do Estado de Veracruz, Rodrigo Calderón Salas, e a Secretária de Desenvolvimento Agropecuário do Estado de Morelos, Margarita Galeana Torres.
Diálogo e alianças
“Conhecemos muito bem as necessidades dos agricultores de Chiapas”, assegurou Barba Arrocha. “Vamos colaborar com o governo federal em projetos sanitários, para atender aos problemas da mosca da fruta e a larva Cochliomyia hominivorax do gado. Trabalhamos para construir uma estratégia do estado, que permita que os produtores tenham acesso a formação e produtos gratuitos, para continuar diminuindo a incidência dessas doenças”.
Barba Arrocha destacou que, para ter um campo mais produtivo, é crítico favorecer o enraizamento: “Precisamos que as novas gerações verdadeiramente vejam o campo como uma oportunidade de vida. Isso é imprescindível para desenvolver o potencial da agricultura no trópico”.
Ruy Sánchez de Orellana assegurou que as convocatórias ao diálogo e a formar alianças tem maior importância “em um tempo em que as regras que davam previsibilidade desaparecem muito rápido por tensões geopolíticas e múltiplas crises. O desafiador panorama para a agricultura também inclui o encarecimento de materiais críticos como fertilizantes”.
O funcionário considerou que a resposta é a soberania alimentar, que definiu como a geração das condições necessárias para garantir o direito humano à alimentação da população.
“A agricultura tropical enfrenta grandes desafios e grandes oportunidades. Chiapas é um claro exemplo e aí está o café, o cacau, a banana e a manga que mostram a capacidade da região para produzir e inovar”, adicionou Ruy de Sánchez Orellana, que valorizou o IICA como mais que um aliado técnico para o México: “Enfatizamos sua vontade de alinhar a cooperação com nossas prioridades nacionais. O IICA mostra que a cooperação é útil, se existe confiança, sensibilidade social e está orientada a resultados”.
Beatriz Paredes, que destacou o papel da ciência para transformar a realidade da agricultura e dos territórios rurais, enfatizou que a visita à Tapachula do Diretor Geral do IICA impulsiona a reflexão sobre a situação da região tropical no México.
“As conclusões dessa reunião foram úteis para o México todo; queremos que o país adquira essa paixão pelo trópico e assuma a transcendência de projetar uma estratégia de políticas públicas. Espero que este encontro seja uma robusta semente que germine como uma grande selva”, declarou.
O Diretor Geral do CATIE, organização acadêmica de referência continental e mundial na pesquisa da agricultura tropical, que tem sede na Costa Rica e está estreitamente ligada ao IICA, destacou Chiapas pela sua qualidade de solos e seu microclima, que permitiram que se tornara a origem da manga Ataulfo, uma das variedades mais saborosas do mundo.
“No CATIE temos um programa de melhoria genética do café e outro para o cacau, que é um cultivo que está nas mãos maiormente de pequenos produtores, que devem ser apoiados. Contamos com a maior coleção de variedades de café do mundo e a segunda de cacau. E somos donos da escola de pós-graduação mais antiga em agricultura tropical da América Latina e do Caribe”.
Muhammad Ibrahim considerou que Chiapas é o coração da biodiversidade mexicana: “Aqui a terra e a cultura se unem para nos lembrar que o trópico não é somente uma zona geográfica, mas também o motor da segurança alimentar no hemisfério”.
O Diretor Geral do IICA disse que são quatro os eixos prioritários para construir um plano para a prosperidade e inclusão para a agricultura tropical: resiliência, inovação, transformação de cadeias de produção e governança financeira.
“Estamos em um momento decisivo para a agricultura, pelo aumento dos preços dos fertilizantes e da energia que se refletem nos custos de produção e chegam aos consumidores de alimentos. O IICA tem um papel central para apoiar os governos do continente e trabalhar com o setor privado para trazer soluções às múltiplas crises”.
Ibrahim explicou que o IICA entende que a agricultura tropical das Américas deve avançar para uma maior resiliência por meio da ciência aplicada, em harmonia com conhecimentos ancestrais, terreno em que o México tem muito conhecimento.
“Não procuramos somente consensos, mas também um portfólio de iniciativas que catalizem ações que procuram transformar a agricultura do trópico e orientem políticas públicas e investimento com os agricultores e agricultoras no centro”.
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