Georgetown, 11 de junho de 2026 (IICA) – O Presidente da Guiana, Mohamed Irfaan Ali, considerou que seu país se posicionará como um fornecedor de alimentos crítico para toda a região do Caribe, graças à contribuição do Centro de Ciência, Tecnologia e Inovação Agrícola que será instalado em Georgetown pelos governos do Brasil e do seu país, em colaboração com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura.
Irfaan Ali recebeu no seu escritório ao Diretor Geral do IICA, Muhammad Ibrahim, e ao Secretário-Executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, Cleber Soares, junto com o Ministro da Agricultura da Guiana, Zulfikar Mustapha, com quem debateu os detalhes do projeto, que será implementado a partir do próximo mês.
“Estou muito feliz de recebê-los e de aprofundar a relação de colaboração da Guiana com o Brasil e com o IICA. A missão é acelerar a transformação da agricultura da Guiana e da região com pesquisa e novas tecnologias que permitam criar valor, melhorar a resiliência climática, produzir sementes e criar um ecossistema técnico que fortaleça a nossa segurança alimentar”, disse Irfaan Ali, que compartilhou um largo diálogo com as visitas.
O Presidente Ali ponderou a história de sucesso do Brasil, que nos últimos anos passou de ser um importador neto de alimentos para exportar a 190 países, graças ao investimento em ciência, tecnologia e inovação aplicada à agricultura tropical, muitas vezes com condições agroecológicas similares às dos países do Caribe.
Para que essa experiência seja compartilhada com o Caribe, o componente científico do Hub de Ciência, Tecnologia e Inovação para a Agricultura Sustentável será liderado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), que foi um ator decisivo no processo de transformação da agricultura do seu país.
O foco do trabalho do Hub estará na abordagem das restrições à produtividade, a vulnerabilidade aos eventos climáticos extremos e a limitada capacidade regional dos países do Caribe para a pesquisa, a inovação e a transferência de tecnologia. Também será prioridade o fortalecimento das capacidades regionais para abordar pestes e doenças transfronteiriças que afetam a produção animal e vegetal.
Irfaan Ali agradeceu ao Secretário-Executivo brasileiro, Cleber Soares, e ao Diretor Geral do IICA, Muhammad Ibrahim, e declarou o orgulho do seu país pelo fato de que um cientista guianês, que definiu como um “filho desta terra”, lidere o organismo hemisférico de desenvolvimento agrícola e bem-estar rural.
Os próximos passos do projeto, que incluem uma fase de preparação de 90 dias e o começo das operações durante a segunda metade deste ano, foram explicados na reunião por Wilmot Garnett, Representante do IICA na Guiana.
Reduzir importações de alimentos
O Diretor Geral do IICA explicou durante uma reunião os lineamentos do Plano de Médio Prazo 2026-2030, plano de ação do organismo para seu trabalho de cooperação nas Américas durante os próximos quatro anos.
Enfatizou, neste sentido, que o Plano contempla estratégias diferenciadas por regiões para contemplar a enorme heterogeneidade dos sistemas de produção do continente, as vezes inclusive dentro dos mesmos países.
“O IICA compartilha e está fortemente comprometido com o objetivo determinado pela Comunidade do Caribe (CARICOM) de reduzir fortemente a dependência da região das importações de alimentos até 2030. Estamos fornecendo apoio técnico para a transição para sistemas mais produtivos e competitivos por meio da ciência, da tecnologia e da inovação. Mas também apoiamos a tarefa do Caribe em outros temas, como a abordagem das barreiras ao comércio intrarregional”, explicou Ibrahim.
Ibrahim agregou que o Hub de Ciência, Tecnologia e Inovação para a Agricultura Sustentável no Caribe trabalhará na construção de capacidades e o desenvolvimento de boas práticas que contribuam para reduzir a vulnerabilidade da região às pestes e doenças que afetam a produção animal e vegetal. Também, ao desenvolvimento de tecnologias que colaborem para melhorar a resiliência da agricultura ante desastres naturais, que afetam o Caribe com cada vez mais frequência e intensidade.
Se espera assim que o Hub seja uma plataforma para a cooperação técnica e a difusão de conhecimentos com foco no aproveitamento do desenvolvimento do Brasil na agricultura tropical, que é referência no mundo todo. Um aspecto central será a incorporação de novas tecnologias que favoreçam o protagonismo de jovens e mulheres na produção agropecuária.
Outro dos objetivos do acordo é promover a formação de cientistas e técnicos agrícolas do Caribe na EMBRAPA, a fim de facilitar a réplica de conhecimentos em temas como a gestão hídrica, os sistemas agrossilvipastoris integrados e a recuperação de terras degradadas, que têm sido fundamentais na história de sucesso do Brasil.
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