Buenos Aires, 2 de junho 2026 (IICA). Durante o Congresso Maizar 2026, o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) participou da assinatura da Carta de Intenção para criar o Movimento pela Transição Energética da Mobilidade, uma iniciativa que reúne empresas, câmaras, organismos técnicos, instituições do agro e organizações da sociedade civil da Argentina.
Entre as instituições assinantes, além do IICA, estão Toyota, Bosch, Stellantis, John Deere, o Centro Açucareiro Argentino, Maizar, Carbio, a Câmara de Bioetanol de Milho, Ciara, Interis, DS Ingeniería y Proyectos, Acsoja, a Estação de Pesquisa Agroindustrial Obispo Colombres, o IPAAT de Tucumán, CEPREB, CASFER, a Câmara Panamericana dos Biocombustíveis Avançados, a Câmara de Álcool da Argentina, Porta Hnos. e a Fundação Nueva Generación Argentina, entre outras organizações ligadas ao desenvolvimento energético e agroindustrial.
O Representante do IICA na Argentina, Fernando Camargo, destacou a relevância do acordo e declarou: “Acredito que hoje estamos começando um movimento absolutamente inédito e revolucionário para o agro e para a transição energética na Argentina. Assinamos uma carta de intenção e vamos unir forças para começar um caminho pelo que o Brasil já se move há tempo e para o que a Argentina hoje está preparada”.
“É uma iniciativa destinada a promover uma agenda estratégica para acelerar a transformação energética do setor de mobilidade neste país”, adicionou Agustín Torroba, especialista em Biocombustíveis e Energias Renováveis do IICA.
A aspiração conjunta das entidades é a construção de uma agenda comum que permita acelerar o desenvolvimento desoluções energéticas sustentáveis, fortalecer a competitividade industrial e promover uma transição energética adaptada às capacidades e oportunidades da Argentina. Os biocombustíveis emergem como uma das soluções destacáveis entre outras opções como o hidrogênio e a eletromobilidade.
Durante esta primeira etapa, o IICA assumirá as funções de articulação e secretaria técnica provisória. O organismo terá sob seu cargo a coordenação institucional e a organização da agenda de trabalho até a definição de uma estrutura formal de governança.
Além disso, tanto o IICA como a CPBIO participarão de diferentes painéis centralizados no futuro dos biocombustíveis. Os debates sobre desenvolvimento dos biocombustíveis e o lançamento do Movimento pela Transição Energética da Mobilidade foram moderados pelo Diretor Executivo da Câmara de Bioetanol de Milho, Patrick Adam.
Nessa estrutura, Agustín Torroba fez uma apresentação sobre as oportunidades que se apresentam para a Argentina na produção de combustíveis sustentáveis para a aviação (SAF) e biocombustíveis marítimos. “Na Argentina ainda estamos muito atrasados na produção de SAF; não existe nenhuma planta de produção. É necessário modificar essa situação e para isso seria conveniente avançar nas certificações ambientais da CORISA para as cadeias de valor agrícolas potenciais como o milho ou óleos e avançar em ações de diplomacia ambiental nos âmbitos onde são discutidos os parâmetros de sustentabilidade da aviação civil, envolvendo ativamente o setor privado”, assegurou Torroba.
Também destacou o crescimento do uso de biocombustíveis para o setor marítimo, onde se misturam com fuel oil e mostram uma expansão constante no nível internacional, com uma dinâmica parecida à do combustível sustentável para aviação. Isso abre possibilidades para o biodiesel, como a de ser misturado com fóssil marítimo em até 30%. Também há barcos duais que funcionam com metanol e etanol puros segundo o porto onde se abastecem. Atualmente há 293 barcos duais que configuram somente 0,3% da frota, mas mais de 10% dos pedidos de fabricação de novos navios no mundo apresentam essas características na montagem. Isso converte o etanol em uma excelente opção para a descarbonização da navegação.
Durante o painel também participou o Secretário de Coordenação de Energia e Mineração da Nação, Daniel González, que se referiu ao projeto de lei de biocombustíveis impulsionado pelo Governo Nacional, que propõe aumentar as misturas de álcool de 12% a 15% e de biodiesel de 7,5% a 10%.
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