Montreal, 15 de junho de 2026 (IICA). Avançar para uma maior harmonização internacional dos padrões de sustentabilidade utilizados para medir a pegada de carbono dos biocombustíveis e combustíveis sustentáveis de aviação, bem como gerar incentivos econômicos claros que promovam novas investimentos no setor.
Esses foram os chamados que o IICA e a Coalizão Pan-Americana de Biocombustíveis Líquidos (CPBIO) lançaram em Montreal, Canadá, em um encontro com autoridades governamentais, organismos internacionais, representantes da indústria aeronáutica, especialistas técnicos e atores do setor energético global.
Agustín Torroba, especialista em Biocombustíveis e Energias Renováveis do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e Secretário Executivo da CPBIO, participou da Semana do Clima 2026, da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), na qual foram analisados os principais obstáculos que ainda limitam a expansão global da indústria de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF).
Os SAF são concebidos como uma alternativa fundamental para diminuir a pegada de carbono da aviação sem substituir de maneira imediata a infraestrutura aeronáutica existente, um processo no qual a agricultura adquire uma importância estratégica: os cultivos, resíduos, óleos vegetais, gorduras e outras biomassas sustentáveis podem se transformar em matérias-primas para produzir combustíveis renováveis, gerando novas oportunidades de valor agregado, emprego e investimento nos territórios rurais.
Para as Américas, região com alta produtividade agropecuária e ampla experiência em biocombustíveis líquidos, os SAF representam uma oportunidade concreta para vincular segurança energética, desenvolvimento agrícola e descarbonização da aviação internacional.
“Hoje existem múltiplas metodologias para avaliar a sustentabilidade e as emissões de carbono dos combustíveis renováveis. A falta de reconhecimento mútuo entre esses padrões gera custos adicionais, duplicação de certificações e barreiras desnecessárias para o comércio e o investimento. Precisamos avançar para âmbitos que permitam mensurar com critérios compatíveis, comparáveis e homologáveis”, explicou Torroba.
Além disso, ressaltou a importância de fortalecer os sinais econômicos necessários para incentivar novos investimentos no setor.
“O Plano de Compensação e Redução de Carbono para a Aviação Internacional (CORSIA) constitui um instrumento fundamental para a descarbonização da aviação internacional. No entanto, os preços atuais das compensações de carbono continuam sendo significativamente inferiores aos custos de abatimento associados ao SAF. Enquanto esse hiato persistir, os sinais para mobilizar investimentos continuarão sendo insuficientes”, afirmou.
Nas discussões também foi destacado o papel que a agricultura das Américas pode desempenhar na transição energética do transporte aéreo.
Segundo dados apresentados no evento, a região produz aproximadamente 87% dos álcoois utilizados para biocombustíveis no munido e concentra uma participação significativa da produção global de óleos vegetais sustentáveis, duas das principais plataformas tecnológicas utilizadas atualmente para produzir SAF.
“A descarbonização da aviação não dependerá unicamente de novas tecnologias. Também demandará estruturas regulatórias coerentes, sinais econômicos adequados e um maior reconhecimento do papel estratégico que a agricultura sustentável das Américas pode desempenhar na transição energética global”, concluiu Torroba.
A participação do IICA e da CPBIO na Semana do Clima da OACI faz parte dos esforços para fortalecer a presença dos países das Américas nos principais espaços internacionais de discussão sobre combustíveis sustentáveis, descarbonização do transporte e transição energética.
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